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09/04/2010 - 12h34

Justiça francesa vai investigar onda de suicídios na France Telecom

A Justiça francesa informou nesta sexta-feira que vai investigar a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Pela primeira vez na França, a política de gestão de recursos humanos de uma empresa poderá ser configurada como uma infração penal e levar seus dirigentes a um tribunal penal, que pode aplicar penas de prisão. Segundo a Procuradoria de Paris, a decisão da Justiça de abrir investigações "por assédio moral" é baseada em uma queixa apresentada pelo sindicato Sud contra a empresa, e também nas conclusões de um relatório da Inspeção do Trabalho. O documento aponta "métodos de gestão que colocam em perigo a saúde dos trabalhadores". No relatório de 82 páginas, entregue à Justiça em fevereiro, a inspetora do trabalho Sylvie Catala afirma que as situações de mal-estar vividas pelos trabalhadores e os suicídios estão ligados "à política de reestruturação e de gestão da empresa", conduzida desde 2006, com o objetivo de cortar 22 mil postos de trabalho. No documento, a inspetora do trabalho cita os supostos comentários feitos pelo diretor de recursos humanos em uma reunião, em 2006, quando ele teria dito que "teria fracassado se a empresa não conseguisse realizar as 22 mil demissões, que representariam 7 bilhões de euros a mais no caixa". Depressão As técnicas utilizadas pela direção para obrigar os empregados a deixar a companhia, como transferências forçadas para outras regiões ou mudanças nas atividades e cargos dos funcionários, são apontadas como as causas de depressões e outros problemas psicológicos e estariam ligadas aos suicídios. A inspetora afirma no documento entregue à Justiça que os diretores da France Telecom foram alertados inúmeras vezes por médicos do trabalho e representantes da Previdência Social sobre os riscos à saúde dos funcionários provocados pela administração da empresa. A investigação da Justiça tem como alvo a France Telecom, como pessoa jurídica, e também responsáveis diretos pela empresa, como o ex-presidente Didier Lombard, que deixou o cargo em setembro de 2009, após a polêmica causada pelo onda de suicídios. Louis-Pierre Wenès, o ex-número dois da companhia e chefe das operações na França, que também deixou o cargo no ano passado, e Olivier Barberot, diretor de recursos humanos, também deverão responder à investigação judicial. "Isso prova que a Justiça está levando o caso a sério", afirma Patrick Ackermann, sindicalista do Sud. A France Telecom foi privatizada em 2004.

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