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09/04/2010 - 19h05

Vizinhos do Morro do Bumba temem novos deslizamentos

Dois dias depois do deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói, Rio de Janeiro, alguns moradores da região começam a deixar suas casas voluntariamente, com medo de novas movimentações do terreno. Djalma Alves de Souza afirma que deixou sua residência, que fica em Santo Cristo, na mesma região do Morro do Bumba, na última terça-feira, após um deslizamento ter destruído parte de um muro da casa, que também fica na encosta de um morro. "Na madrugada de terça-feira houve um deslizamente e duas casas que ficam acima, no limite do meu terreno, ficaram por um fio", diz Souza, que afirma que a onda de lama só não atingiu o quarto onde dormia por ter sido desviada por uma árvore. Souza, que está abrigado na casa da irmã, afirma ter ligado para a Defesa Civil de Niterói para pedir que as autoridades fossem vistoriar o terreno, mas até agora não foi atendido. "Eu saí por iniciativa própria, mas tem gente que continua lá, nas outras casas", diz. Saques A menos de um quilômetro do Morro do Bumba, pessoas que tiveram que deixar suas casas durante as enchentes temem, além de novos deslizamentos, os saques que estariam ocorrendo nas residências desocupadas. A rua onde Sidnei Moura mora se transformou em uma pequena cahoeira na noite da última segunda-feira, quando começaram as chuvas que já deixaram mais de 190 mortos em todo o Estado do Rio, sendo que ao menos 107 delas em Niterói, de acordo com a Prefeitura da cidade. Moura conta que, após perceber o deslizamento, correu junto com outros vizinhos para uma rua próxima. Seis pessoas que estavam em um mesma casa, no entanto, acabaram morrendo, e outro vizinho continua desaparecido. A rua foi interditada por homens do Corpo de Bombeiros com uma pequena fita de plástico, o que não impede que os moradores voltem às suas casas para pegar roupas e pertences diversas vezes ao dia. Foi em uma destas visitas que Moura, que está com roupas e sapatos emprestados de amigos, afirma ter encontrado sua casa revirada por saqueadores, assim como outros vizinhos. Documentos Entrar em suas casas para buscar pertences é o que gostariam alguns moradores do Morro do Bumba que se concentravam nesta sexta-feira na frente do cordão de isolamento colocado pelas autoridades diante das áreas de buscas. A casa de Adelino José da Fonseca não ficou completamente destruída durante o deslizamento no Morro do Bumba, mas devido à tragédia, ele não pode voltar para reaver suas coisas. "Perdemos tudo, meus documentos, da minha esposa. A única coisa que eles falam é que não pode entrar ai, que é área de risco, aterro sanitário, pode descer mais coisa. Se eu pudesse recuperar os documentos que estão lá, para mim seria a solução, mas infelizmente a gente não pode entar lá". Fonseca, no entanto, afirma acreditar que depois que as buscas terminarem, outras pessoas voltarão a morar no Morro do Bumba. "Eu creio que depois que acabar com isso ai vão esquecer, vão dar por esquecido. Não vão fazer nada, depois todo mundo vai estar morando aí outra vez, vem outra tragédia e acaba tudo". Trabalhos Homens do corpo de bombeiros e da Defesa Civil continuam os trabalhos de buscas de corpos com o auxílio de pás, tratores e escavadeiras. Caminhões retiram toneladas de escombros do local onde, segundo estimativas da prefeitura, dezenas de pessoas podem ter morrido. Até a tarde desta sexta-feira, no entanto, apenas 25 havia sido encontrados. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, a Defesa Civil está trabalhando "sem parar" e já interditou cerca de 60 casas nos arredores do Morro do Bumba, solicitando aos outros moradores que também comecem a sair com destino a abrigos ou casas de parentes. A prefeitura ainda estima que cerca de 350 famílias tenha que deixar suas casas em toda a cidade.

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