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10/04/2010 - 17h06

Rússia inicia investigações sobre acidente que matou presidente polonês

O premiê russo Vladimir Putin disse neste sábado que vai estabelecer um comitê governamental para investigar o acidente de avião que matou o presidente da Polônia, Lech Kaczynski. "Assinei uma proposta de resolução sobre a composição da comissão governamental. Vamos trazer os corpos para Moscou, para identificação. Aqui, organizaremos tudo o que for necessário para atender os familiares, aqueles que desejarem e conseguirem vir." "Todo o outro trabalho relativo à implementação dos planos da comissão será organizado. Já conversei com o prefeito de Moscou e uma sede especial será estabelecida lá", afirmou. Além do presidente Kaczynski, também morreu neste sábado a borto do avião Tupolev-154, a primeira-dama Maria e outras autoridades polonesas, que participariam de uma cerimônia para lembrar os 70 anos de um massacre de mais de 20 mil prisioneiros de guerra por forças russas na floresta de Katyn durante a Segunda Guerra Mundial. Entre outras altas autoridades polonesas dentro do avião estavam o chefe do Exército do país, Franciszek Gagor, e o presidente do BC polonês, Slawomir Skrzypek. Além disso, faziam parte da comitiva historiadores consagrados e políticos de renome. Nenhuma das quase cem pessoas a bordo sobreviveu. A tragédia ocorreu no momento em que a aeronave tentava pousar em meio à névoa densa, pouco antes das 11h de Moscou (4h em Brasília). De acordo com a imprensa russa, os pilotos do Tupolev onde estava o presidente polonês ignoraram os pedidos dos controladores de voo para desviar a aeronave para outro aeroporto. O governador da província de Smolensk, Sergei Antufiev, declarou na TV russa que o Tupolev-154 atingiu a copa das árvores, caiu no chão e se partiu. Eleição antecipada Um porta-voz do governo da Polônia afirmou que, depois da morte do presidente do país, será convocada uma eleição presidencial antecipada, de acordo com a Constituição do país. Por enquanto, o líder da Câmara Baixa do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, será o presidente interino da Polônia, de acordo com o porta-voz do governo. Depois de uma reunião de emergência com os ministros, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk, declarou uma semana de luto nacional e determinou a realização de dois minutos de silêncio no domingo, ao meio-dia. "Nós estamos frente a uma tragédia incrível, um dos eventos mais trágicos da história da nossa nação. Definitivamente é o evento mais trágico na história da Polônia no pós-guerra", afirmou o premiê em um discurso transmitido pela televisão. Reações O correspondente da BBC em Varsóvia, Adam Easton, disse que o acidente está sendo sentido como uma "catástrofe" para os poloneses, independente de sua posição política em relação ao presidente. De acordo com o repórter, milhares de pessoas, visivelmente aturdidos, se reuniram em frente ao palácio presidencial em Varsóvia para deixar flores e acender velas. Um luto de sete dias foi decretado no país. O premiê do país, Donald Tusk, teria chorado ao ser informado do incidente. Ele disse que viajará ao local do acidente. Líderes mundiais expressaram suas condolências pela morte de Kaczynski. Na Rússia, o presidente Dmitri Medvedev se solidarizou com a Polônia. A investigação sobre as causas do acidente será conduzida pelo premiê russo, Vladimir Putin. Os Estados Unidos disseram que esta foi uma "terrível tragédia" para a Polônia. Já a União Europeia expressou solidariedade com o Estado-membro do bloco. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que estava "chocada" com o incidente, enquanto o premiê britânico, Gordon Brown, expressou tristeza e descreveu Lech Kaczynski como "um dos atores que definiram a história política moderna" de seu país. Histórico Lech Kaczynski, que exerceu o cargo de prefeito da capital, Varsóvia, por três anos, foi eleito presidente da Polônia em 2005. Advogado das políticas de bem-estar social e resistente a reformas de mercado, ele esteve no centro de polêmicas envolvendo sua agenda influenciada fortemente por um conservadorismo católico. Junto com seu irmão gêmeo, o ex-premiê Jaroslaw Kaczynski, ele fundou em 2001 o Partido da Lei e Justiça, que reiterava os valores tradicionais oriundos da fé católica, predominante na Polônia. A história do líder está ligada à campanha pelo fim do Comunismo no país, nos anos 1980. O ex-presidente polonês Lech Walesa, que liderou o movimento Solidariedade, peça central na luta pela democratização do país na mesma época, qualificou o desastre como "inconcebível". "Os soviéticos mataram as elites polonesas em Katyn há 70 anos. Hoje, a elite polonesa morreu no mesmo local tentando prestar uma homenagem aos poloneses que lá morreram", declarou Walesa à agência AFP.

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