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11/04/2010 - 21h08

Polônia: Milhares vão às ruas para receber corpo de presidente

Milhares de pessoas foram às ruas de Varsóvia, capital da Polônia, para presenciar a passagem do cortejo que levou o corpo do presidente Lech Kaczynski, morto no sábado junto com outras 96 pessoas em um acidente de avião na Rússia. O corpo do presidente foi levado pelas ruas lotadas neste domingo, do aeroporto militar de de Varsóvia para o Palácio Presidencial, onde vai ser velado durante uma semana, com visitação aberta ao público. A multidão permaneceu em silêncio nas ruas de Varsóvia enquanto o carro levando o caixão passava com uma escolta militar. Outras milhares de pessoas já estavam reunidas em frente ao Palácio Presidencial, levando flores, velas, bandeiras da Polônia e retratos de Kaczynski. Missas em homenagem ao presidente foram celebradas em todo o país e, ao meio-dia deste domingo (7h em Brasília), foram observados dois minutos de silêncio marcado pelos sinos e sirenes de emergência. Eventos esportivos e sociais foram cancelados. Em sua chegada ao aeroporto militar de Varsóvia, o caixão do presidente, coberto pela bandeira da Polônia, foi recebido pelo presidente interino, Bronislaw Komorowski, e acompanhado pelo primeiro-ministro Donald Tusk e pelo irmão gêmeo do presidente, Jaroslaw Kaczynski. No aeroporto ocorreu uma rápida cerimônia católica antes do início do percurso de dez quilômetros até o Palácio Presidencial. Além do presidente, também chegou neste domingo a Varsóvia o corpo da primeira-dama. O acidente com o Tupolev-154 ocorreu na manhã do sábado, quando o avião se preparava para pousar no aeroporto da cidade russa de Smolensk. A delegação era esperada para uma cerimônia em memória de mais de 20 mil poloneses que morreram nas mãos de forças russas na floresta de Katyn durante a Segunda Guerra Mundial. Todas as 96 pessoas a bordo morreram, incluindo líderes militares e civis, parlamentares e figuras importantes da elite intelectual polonesa no campo da cultura e história. Eleições A Rússia e a União Europeia, que a Polônia integra, decretaram um dia de luto oficial. "Estamos completamente devastados e chocados", disse à BBC o ministro polonês do Exterior, Radek Sikorski. "As pessoas estão indo à igreja, à missa, estão chorando." Um porta-voz do governo da Polônia afirmou que, com a morte de Kaczynski, as eleições presidenciais serão antecipadas. De acordo com a Constituição polonesa, a data deve ser definida até o fim de junho. O líder da Câmara Baixa do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, assumiu interinamente o cargo deixado pelo seu antecessor. "É o evento mais trágico na história da Polônia no pós-guerra", afirmou o premiê polonês, Donald Tusk, em uma declaração transmitida pela televisão. "Hoje, diante deste drama, nossa nação permanece unida. Não há divisões entre esquerda e direita, diferenças políticas não interessam. Estamos juntos na tragédia." Investigações No sábado, o premiê polonês visitou o local do acidente junto com o premiê russo, Vladimir Putin, responsável pela investigação para determinar as causas do acidente. O irmão do presidente, Jaroslaw Kaczynski, também tinha viajado à Rússia para ajudar na identificação do corpo do presidente. As autoridades russas se comprometeram a dar total prioridade ao inquérito, que incluirá a formação de um comitê governamental. O ministro russo de Emergências, Sergei Shoigu, disse que ambas as caixas-pretas do avião foram encontradas e estão sendo examinadas. Testemunhas dizem ter visto o avião se aproximar da base aérea de Smolensk com a asa esquerda apontando para o chão. A aeronave bateu nas árvores e se chocou contra a montanha, espalhando destroços em uma grande área de floresta. Ainda não se sabe se o incidente foi causado por falhas técnicas, humanas ou ambas. O avião, um Tupolev-154 com mais de 20 anos de uso, havia passado por manutenção recentemente e era considerado apto para voo. Controladores aéreos russos disseram que, por causa da névoa espessa que cobria o aeroporto de Smolensk no momento, instruíram os pilotos do avião a pousar em outro aeroporto, em Minsk, mas a sugestão foi ignorada. O vice-comandante da Aeronáutica russa, general Alexander Alyoshin, disse que os controladores perceberam que a aeronave voava a uma altura muito baixa quando o avião estava a cerca de 1,5 km da base aérea. "O controle instruiu a tripulação que retornasse ao voo horizontal. Quando isso não foi feito, eles os instruíram repetidas vezes a pousar em outro aeroporto", declarou o general. "Apesar de tudo, a tripulação continuou sua descida. Infelizmente, isso terminou de maneira trágica."

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