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11/04/2010 - 14h08

Problemas marcam 1ª dia de eleição histórica no Sudão

  • O general Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra, deve vencer as eleições sudanesas

    O general Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra, deve vencer as eleições sudanesas

O primeiro de três dias de votação nas primeiras eleições multipartidárias do Sudão em 24 anos foi encerrado com problemas sendo registrados no norte e no sul do país.

Cerca de 16 milhões de sudaneses estão registrados a votar para escolher o presidente, os parlamentares e seus dirigentes regionais.

Se nenhum dos candidatos superar os 50% de votos, um segundo turno se realizará no dia 10 de maio.

O pleito é parte do acordo de paz de 2005, que pôs fim a 20 anos de guerra civil entre o norte do Sudão, majoritariamente muçulmano, e o sul do país, onde predominam o cristianismo e outras religiões.

Analistas dizem que as eleições são também um passo em direção a um referendo sobre a independência do sul do país, marcado para janeiro do ano que vem.

Saiba mais sobre o Sudão

  • A República do Sudão, país africano de maior extensão territorial, foi beneficiado com recente aumento nos investimentos estrangeiros e com o alto preço do petróleo, mas a exportação desta commodity não se refletiu em maior renda para a população e o país ainda é um dos mais pobres do mundo.

    Superfície: 2.505.810 km² divididos em nove estados

    Habitantes: cerca de 41 milhões de habitantes

    Governo: General Omar Al Bashir governa desde o golpe de 1989, primeiro com uma junta militar, e depois eleito em 1996 e 2000

    Idioma: árabe (oficial) é majoritário, ao lado do inglês (oficial). Dezenas de grupos étnicos praticam seus idiomas

    Religião: o islamismo (oficial) é predominante entre árabes e núbios, com maioria sunita. Os cultos tradicionais africanos são majoritários no sul. Há comunidades cristãs espalhadas em todo o país

    Alfabetização: 72% dos homens, 50% das mulheres

    Importações: comida, manufaturas, equipamentos, remédios, comprados principalmente de China, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito, Índia e Itália

    Exportações: petróleo e derivados, algodão, açúcar; vendidos principalmente para China, Japão e Indonésia

Apesar de estar sendo considerada um marco na história do Sudão, a votação está sendo boicotada, principalmente no norte, pela oposição, que acusa de fraude o presidente, Omar al-Bashir.

Com isso, Al-Bashir não enfrenta nenhum adversário de peso nas urnas.

As acusações colocam em questão a credibilidade do processo, cujo resultado deve ser conhecido no dia 18 de abril.

"Não será a eleição perfeita, isso não existe", disse o ex-presidente americano Jimmy Carter, que lidera uma missão de observadores na capital, Cartum.

"Mas se percebermos que as eleições expressaram de forma adequada a vontade dos eleitores, essa é a avaliação principal que faremos."

Entretanto, o processo é um desafio em termos logísticos, em um país onde a infraestrutura é precária. Doze eleições diferentes estão sendo realizadas, em diferentes níveis.

Na principal cidade do sul, Juba, o presidente regional, Salva Kiir, teve de esperar meia-hora até que as urnas fossem instaladas.

Ele levou 20 minutos para votar e, quando o fez, depositou seu primeiro voto na urna errada.

Em alguns pontos de votação houve caos, inclusive porque os nomes de oposição que se retiraram do pleito ainda continuam nas cédulas.

Grande parte da população, analfabeta, se atrapalhava tentando localizar seu nome nas listas eleitorais.

Na capital sudanesa, Cartum, a votação foi lenta e correspondentes perceberam uma relativa apatia. Fiscais eleitorais registraram irregularidades cometidas por partidários do atual presidente.

Al-Bashir votou na capital por volta do meio-dia e, ao terminar, disse para os jornalistas: "Alá é Grande".

O presidente sudanês é o primeiro chefe de Estado a ter uma ordem internacional de prisão emitida pela Corte Penal Internacional.

Ele é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos contra a população da região de Darfur, no oeste do país.

Conflito

A ONU acusa milícias árabes alinhadas com o governo de empreender uma campanha de limpeza étnica contra a população não árabe da região.

As Nações Unidas estimam que cerca de 300 mil pessoas morreram em Darfur em consequência da guerra, de fome ou de doenças.

Até hoje a guerra persiste, embora em níveis menos intensos, e três milhões de pessoas vivem em campos de refugiados.

Al-Bashir tomou o poder através de um golpe de Estado em 1989. As atividades partidárias e sindicais foram proibidas. Só dez anos depois é que teve início um processo de restabelecimento democrático no país.

O presidente sudanês disse que aceitará o resultado do referendo de janeiro do ano que vem, ainda que a independência do sul seja aprovada.

Entretanto, observadores apontam que importantes áreas petroleiras se localizam justamente ao longo da divisa entre o sul e o norte. O temor é que uma possível mudança rumo à independência do sul leve a uma retomada dos conflitos civis.
 

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