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13/04/2010 - 18h42

Em reunião com Obama, Brasil e Turquia pedem mais tempo para Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediram nesta terça-feira ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mais tempo para que seja alcançada uma solução para a questão nuclear do Irã sem a imposição de mais sanções. Em uma reunião de última hora, durante um dos intervalos da programação da Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, Lula e Erdogan apresentaram a Obama os argumentos contra as sanções. Segundo o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, Brasil e Turquia afirmaram que ainda acreditam na possibilidade de uma solução negociada. "Eu não posso dizer que o presidente Obama tenha assumido nenhum compromisso com tempo, mas tampouco disse que não adianta tentar", afirmou o ministro, em entrevista coletiva pouco antes do encerramento do encontro na capital americana. A reunião trilateral com Obama não estava inicialmente na agenda e foi acertada na noite de segunda-feira, durante o jantar de abertura da Cúpula. Segundo Amorim, o encontro durou cerca de 15 minutos. Brasil e Turquia devem continuar discutindo o assunto e detalhes de uma possível proposta para evitar as sanções. Sanções Apesar de não fazer parte da programação oficial da cúpula, a questão iraniana foi o principal assunto nos bastidores e nas reuniões bilaterais durante os dois dias do encontro. Na segunda-feira, após uma reunião entre Obama e o presidente chinês, Hu Jintao, a Casa Branca chegou a afirmar que a China havia se comprometido em trabalhar conjuntamente com os Estados Unidos em uma resolução no Conselho de Segurança da ONU. Nesta terça-feira, o Ministério do Exterior da China disse que o país não apoia sanções e continua defendendo o diálogo como melhor saída para a questão. De qualquer forma, o fato de a China ter demonstrado disposição para discutir o assunto já é considerado por especialistas que acompanham as negociações um indicativo de que o país poderia mudar de ideia e vir a apoiar as sanções, como quer os Estados Unidos. A China ainda é o único membro permanente do Conselho de Segurança da ONU que permanece reticente quanto à imposição de uma quarta rodada de sanções contra o Irã. Os outros quatro - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia - já manifestaram apoio a adoção de novas medidas. Tanto Brasil quanto Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança e são contrários às sanções. O Líbano também tem se manifestado contra as medidas. Apesar de esses países não terem poder de veto nas decisões do Conselho de Segurança, analistas afirmam que os Estados Unidos gostariam de obter apoio unânime para uma resolução, o que seria um sinal de que a comunidade internacional estaria unida em torno do tema. Os Estados Unidos e outros países pressionam o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio por temor de que o país esteja planejando secretamente desenvolver armas nucleares. O Irã nega essas alegações e se recusa a interromper seu programa, que diz ser pacífico e com o objetivo de gerar energia. Soluções Segundo Amorim, o Brasil também quer, assim como outros países, a garantia de que o programa nuclear iraniano não tenha objetivos militares. "Mas Brasil e Turquia compartilham a opinião de que é possível chegar a uma solução por meio da negociação", disse Amorim. Na tarde de segunda-feira, Lula recebeu Erdogan em uma reunião bilateral na residência do embaixador brasileiro em Washington, e os dois decidiram aproveitar a cúpula para discutir a questão iraniana com outros líderes presentes. À noite, os ministros do Exterior dos dois países também se reuniram para tratar da questão. Uma das alternativas em jogo seria enviar o urânio iraniano com baixo nível de enriquecimento para ser enriquecido em outro país - talvez a Turquia. De acordo com Amorim, a questão iraniana continuará a ser discutida nos próximos dias, durante os encontros do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). Segundo o ministro, o governo brasileiro deverá aproveitar a visita do presidente chinês a Brasília para esclarecer qual é exatamente a posição da China sobre a possibilidade de novas sanções.

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