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14/04/2010 - 05h57

Entenda a crise no Quirguistão

Um violento levante na república centro-asiática do Quirguistão derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev do poder e causou a morte de dezenas de pessoas. Entenda as raízes da crise e suas possíveis consequencias.

Quais as origens dos conflitos?
A violência foi o resultado de meses de insatisfação com a alta de preços e acusações de corrupção no país.
Bakiyev tinha prometido combater a corrupção e a pobreza quando chegou ao poder após a chamada Revolução das Tulipas em 2005, um movimento popular que derrubou o presidente Askar Akayev, que tinha acabado de ser reeleito em eleições altamente contestadas.

Em 2006, Bakiyev concordou em reduzir seus poderes após protestos populares, medida bastante incomum na região onde os líderes costumam reprimir violentamente a oposição.

Mas em anos recentes ele vem perdendo popularidade, criticado por aparentemente não conseguir cumprir suas promessas. O presidente vem ainda sendo acusado de nepotismo após ter nomeado familiares para cargos importantes.

As eleições de julho de 2009 garantiram a permanência de Bakiyev na Presidência, mas foram altamente criticadas por monitores internacionais. foram uma grande vitória para Bakiyev, mas bastante criticadas por observadores internacionais.

Críticos reclamam ainda de restrições à imprensa, afirmando que dezenas de jornalistas vêm sendo atacados, ameaçados, intimidados ou mesmo assassinados desde 2006, e várias publicações oposicionistas, fechadas.

A decisão do governo de dobrar os custos de contas domésticas em janeiro também deu início a protestos.

Quem está no poder agora?
A ex-ministra das Relações Exteriores Roza Otunbayeva foi nomeada a líder do autointitulado “governo do povo”.
Diplomata de carreira, ela marchou vitoriosa ao lado de Bakiyev em 2005, mas vem descrevendo o levante como “nossa resposta à repressão e à tirania do regime de Bakiyev” e prometeu convocar eleições em seis meses.

A novo governo, que agora controla a polícia e as Forças Armadas, disse que prenderá o ex-presidente à força se ele não se render.

Bakiyev inicialmente recusou-se a renunciar mas agora indicou que poderia faze-lo se receber garantias de que ele sua família permanecerão em segurança.

Ele disse que negociaria com Otunbayeva se ela for até o sul do país, onde ele se refuigiou desde que deixou a capital.
Qual papel o sistema de clãs desempenhou na crise?
A rivalidades entre clãs tem tido um papel marcante na política do Quirguistão, mas Bakiyev prometeu formar um governo representativo das diferentes etnias do país.

Correspondentes dizem que ele vem perdendo apoio de aliados. Outros manifestaram temor de um aprofundamento das divisões étnicas. Cerca de 15% da população do Quirguistão são de etnia uzbeque e mantêm uma relação tensa com os quirguizes.

Como tem sido as reações internacionais?
A localização estratégica do Quirguistão torna o país importante para Estados Unidos, Rússia e China.
EUA e Rússia possuem bases militares no país. A base americana em Manas é considerada vital para as operações do país no Afeganistão. Quando Bakiev disse que fecharia a base, o presidente americano, Barack Obama, concordou com um substancial aumento no valor do aluguel, cujo contrato termina em julho deste ano.

Washington reagiu com cautela aos eventos na antiga república soviética, rejeitando alegações de que o levante teria um fundo "anti-americano" ou que teria sido orquestrado pela Rússia. Os EUA disseram que em breve enviariam uma delegação para encontrar-se com o novo governo.

O governo russo ofereceu apoio ao governo interino e afirmou que o levante mostrou “o ultraje extremo da população em relação ao antigo regime”.

A China declarou-se um “vizinho amigo” e esperar que “ a ordem seja restaurada o mais rápido possível”.

Quais os principais desafios do novo governo?
Os líderes interinos devem buscar consolidar suas posições e controlar de fato o país. Após os protestos, ocorreram saques à lojas e casas na capital e a população estabeleceu grupos armados para garantir a proteção de suas propriedades.

A ausência de leis no interior também faz com que muitas pessoas reivindiquem de forma irregular pedaços de terra para si.

Montanhoso, com poucos recursos naturais e sem saída para o mar, o Quirguistão é o país mais pobre da Ásia Central, com cerca de 48% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza.

O país depende de seus vizinhos para combustível e precisa do dinheiro gerado pelas bases militares estrangeiras em seu território.

Correspondentes dizem que a corrupção, inerente aos seu sistema político, não deve desaparecer.

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