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15/04/2010 - 16h27

Amorim diz ver afinidades entre visões de Brasil e China sobre Irã

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira ter percebido "afinidades" entre os pontos de vista de Brasil e China sobre a questão nuclear iraniana. O comentário do chanceler foi feito logo após um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês, Hu Jintao, que está em Brasília. "A conversa foi no sentido de que é possível tentar uma negociação com o Irã", disse Amorim. Os Estados Unidos vêm liderando um movimento a favor de uma nova rodada de sanções comerciais ao Irã, que estaria, segundo o governo americano, desenvolvendo um programa nuclear para fins militares. O Brasil é contrário à ideia, com o argumento de que as conversas com o Teerã "ainda não se esgotaram". Posição De acordo com o relato do chanceler Amorim sobre o encontro de Hu com Lula, o presidente chinês não foi questionado diretamente sobre sua posição em relação ao Irã. "Não perguntamos a posição deles. O que houve foi uma troca de ideias", disse o chanceler. Como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a China tem o poder de vetar as sanções contra o Irã. O Brasil também está no Conselho, mas como integrante temporário - ou seja, pode votar, mas não vetar. O programa nuclear do Irã e as possíveis sanções foram o principal tema de uma reunião em Washington, no início da semana, com representantes de 47 países, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo após o evento, a diplomacia chinesa disse que seu país era contrário à imposição de sanções como forma de solucionar a questão iraniana. A Casa Branca, por sua vez, anunciou que China e Estados Unidos iriam orientar seus diplomatas a trabalhar por uma possível nova rodada de sanções. A visita do presidente Lula a Teerã, programada para os 15 e 16 de maio, ocorrerá em meio às pressões dos Estados Unidos pelas sanções comerciais. De acordo com Amorim, o presidente Lula reiterou a Hu Jintao a posição brasileira de que é importante o Irã "demonstrar flexibilidade". "A comunidade internacional também precisa se sentir confortável de que o programa nuclear iraniano é para fins pacíficos", disse o chanceler.

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