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15/04/2010 - 21h52

Argentina apresenta oferta de troca da dívida a credores

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, apresentou, nesta quinta-feira, a proposta do governo para tentar sanar a dívida pública do país, que decretou moratória em 2001 - a maior da história do capitalismo, com quase US$ 100 bilhões. A oferta anunciada por Boudou prevê o pagamento, com amortização de 66,3%, para as instituições financeiras que ainda possuem títulos daquela dívida pública argentina. A proposta é direcionada aos credores que recusaram a proposta feita pelo governo em 2005 e que somam em torno de US$ 20 bilhões de capital. Segundo Boudou, em 2005, 76% dos credores aceitaram a troca de papéis da dívida argentina. Os títulos públicos tiveram, então, desconto de 65,4%. Boudou destacou que espera, nesta nova fase, uma adesão de pelo menos 60% a esta oferta do governo. "Com esses 60% queremos encerrar esse capítulo do default (calote) na Argentina", disse. Além dos descontos para os credores institucionais, Boudou afirmou ainda que será feita uma oferta a credores minoritários, concentrados principalmente na Itália, que receberão, em dinheiro, um cupom de rendimento menor, mas sem amortização. A complicada operação financiera envolve vários países e prevê a troca daqueles títulos que estão no calote por outros com menor valor que o original, mas, segundo Boudou, que 'serão pagos'. Recuperar o crédito Segundo o ministro, o objetivo do governo é voltar a ter acesso aos créditos internacionais, hoje bloqueados em função do calote, e melhorar as condições internas da economia argentina. "Para nós, esta não é uma operação fiscal. Estamos trabalhando para voltar a ter acesso ao crédito no mercado internacional. E isso vai reduzir as taxas de juros no país, vai gerar investimentos e empregos para os argentinos", disse Boudou, numa entrevista coletiva no Ministério da Economia. De acordo com ele, as províncias e empresas privadas que atualmente também não têm créditos na praça, vão poder voltar a contar com estes financiamentos, com taxas de juros acessíveis. O ministro disse que em dez dias, e durante um mês, os credores terão a possibilidade de aceitar ou não esta proposta. O lançamento foi feito em meio a disputas judiciais, nos Estados Unidos, de um grupo que rejeitou a oferta de 2005 e levou ao embargo de contas argentinas no exterior. "Temos confiança de que esta etapa dos riscos de novos embargos ficará para trás", declarou o ministro. Otimismo A expectativa do anúncio gerou otimismo no mercado financeiro, com o registro de queda na taxa de risco país da Argentina, que mede a capacidade de pagamento de um país. "De julho do ano passado até hoje, a taxa de risco país passou de 1,1 mil para menos de 600. Sinal de confiança na Argentina", afirmou o ministro. Analistas de diferentes tendências elogiaram a decisão do governo de tentar regularizar sua situaçao financeira. A consultoria Econviews estima que pelo menos 70% dos credores aceitariam a oferta do governo. "Esse resultado abriria o caminho para a Argentina retornar aos mercados externos de divida, com menos problemas de embargos externos (judiciais)", diz um comunicado da consultoria.

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