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15/04/2010 - 23h01

Paquistão poderia ter evitado assassinato Bhutto, diz investigação da ONU

O aguardado relatório da comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assassinato, em 2007, da líder política paquistanesa Benazir Bhutto, divulgado nesta quinta-feira, criticou duramente o então presidente Pervez Musharraf e afirma que o país poderia ter evitado sua morte. A comissão, presidida pelo embaixador do Chile na ONU, Heraldo Muñoz, garantiu que o assassinato da líder paquistanesa poderia ser evitado "se medidas de segurança adequada fossem adotadas". Além disso, a apuração da ONU indica que as autoridades não investigaram o crime adequadamente. "A comissão considera que o fracasso da polícia na investigação do assassinato de Bhutto foi deliberada", afirma o documento. A polícia também não teria agido de maneira correta e "infringiu danos irreparáveis à investigação" quando foi tomada a decisão de lavar a cena do crime com mangueiras logo após o ocorrido, e não preservar a cena e as possíveis provas do crime. Importância Bhutto morreu em um ataque de bombas durante um comício eleitoral na cidade de Rawalpindi, próxima da capital Islamabad, em dezembro de 2007. Costuma-se atribuir o assassinato a grupos radicais islâmicos, mas seus inimigos declarados incluiam representantes de todo o espectro político do país. Musharraf não concorreu às eleições paquistanesas em fevereiro de 2008, mas o pleito foi considerado um referendo sobre sua administração. O partido de Bhutto foi o mais votado e seu viúvo, Ali Zardari, tornou-se o premiê paquistanês. A família Bhutto é lendária no Paquistão. O pai da ex-premiê, Zulfiqar Ali Bhutto, também serviu como primeiro-ministro do país. Ele foi enforcado depois de ser deposto por um golpe do general Zia-ul-Haq. Nascida em 1953 e educada nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, Benazir se tornou, em 1988, a primeira mulher a ser democraticamente eleita para liderar um país de maioria muçulmana na era moderna. Anos depois, porém, seu nome seria ligado à acusações de corrupção, o que causou seu afastamento do poder em 1990 e em 1996, três anos depois de assumir seu segundo mandato. Depois de permanecer oito anos em exílio voluntário, Benazir havia voltado ao Paquistão neste ano e esperava voltar ao cargo de premiê após as eleições parlamentares de 2008.

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