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15/04/2010 - 17h00

Para analistas, pressão por reformas é ambição que une Brics

Apesar de posições divergentes em vários temas, os quatro países que formam o grupo chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) se reúnem pela segunda vez nesta quinta-feira, em Brasília, com um objetivo em comum: a pressão por reformas no sistema financeiro internacional. Com posições por vezes conflitantes em temas como comércio mundial ou aquecimento global, os Brics vêm unindo forças para obter mais voz em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial. "Esses países têm divergências, mas compartilham um grande interesse, que é o de ter um papel mais relevante nas discussões sobre a economia global. Querem ser atores relevantes nesse cenário", diz Kenneth Lieberthal, especialista em China do Instituo Brookings, em Washington. O diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, Riordan Roett, faz uma avaliação semelhante. "Os diferentes interesses nacionais dos países do Bric não impedem que atuem com força na pressão para que os países industriais reconheçam sua importância", diz Roett, que acaba de escrever um livro sobre como o Brasil se transformou em um dos Bric, com lançamento previsto para agosto. Crise A pressão dos Brics por um papel mais relevante no cenário internacional ganhou força com a crise econômica mundial. Os quatro países sofreram bem menos do que as economias da Europa ou dos Estados Unidos, e também se recuperaram mais rapidamente. Calcula-se que os quatro países do grupo serão responsáveis por mais de 60% do crescimento econômico mundial de 2008 a 2014. "Há um movimento iniciado na reunião do G20 em Washington, no fim de 2008, que prosseguiu nas reuniões posteriores. Os Brics deixaram claro que esperam que as antigas potências industriais aumentem as cotas desses países no FMI e sua representação em outras instituições internacionais", diz Roett. Divisão de poder A visão dos Brics é a de que a divisão de poder em instituições como o FMI e o Banco Mundial está ultrapassada e não reflete o cenário atual nem a importância dessas quatro economias. "Os Brics têm grande importância no comércio mundial, são economias em crescimento. As antigas potências industriais do G7 não terão outra alternativa, senão aceitar essa nova realidade", afirma Roett. O analista da Universidade Johns Hopkins faz uma projeção otimista sobre as chances dos Brics de conquistarem o desejado papel de maior relevância no cenário mundial. "Vai acontecer. Acredito que o próximo diretor-geral do FMI não será europeu, e o próximo presidente do Banco Mundial não será americano", diz o diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, Riordan Roett.

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