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19/04/2010 - 10h46

Brasileiros retidos na Europa tentam rotas alternativas para casa

Com novos cancelamentos de voos na Europa nesta segunda-feira (19), o quinto dia desde o início da crise aérea provocada por uma nuvem de cinzas vulcânicas vinda da Islândia, brasileiros retidos no norte do continente começam a tentar encontrar rotas alternativas para voltar ao país. Muitos agora agora têm como objetivo chegar a cidades no sul da Europa, de onde ainda estão partindo voos para o Brasil, como Madri, Lisboa, Porto e Roma.

"Mantive minha reserva original pela TAP para a terça-feira, mas também comprei uma passagem da Iberia para o mesmo dia", disse à BBC Brasil o executivo paulistano Daniel Hubner, de 41 anos, que estava em Bruxelas a trabalho e nesta segunda-feira rumava de trem para Paris, onde pretendia seguir de trem ou de carro até a Espanha. "Fiquei hospedado na casa do meu chefe no fim de semana e poderia ter continuado trabalhando na sede da empresa na Bélgica. Mas fiquei com medo de fecharem o espaço aéreo na Espanha e em Portugal, e aí não teria mais jeito de sair daqui", contou. "Cheguei até a contactar um motorista português que viria me buscar em Bruxelas e me levar a Lisboa por 1,7 mil euros, mas iria demorar mais 24h."

15 horas de trem

Assim como Hubner, a administradora carioca Renata Gonçalves, de 34 anos, seguiu trabalhando remotamente desde a última sexta-feira, quando seu voo de volta de Londres para o Rio foi cancelado. "Nos primeiros dias, eu não estava preocupada com a situação. Tenho amigos que estão me hospedando, conheço a cidade bem, mas agora vem esta angústia de não ter previsão do que vai acontecer", disse.

Renata está com reservas na TAM e na British Airways, as duas companhias aéreas que fazem voos diretos entre o Brasil e a Grã-Bretanha, mas já está estudando seguir de trem até Madri. "Só saio daqui se conseguir reserva para todos os trechos da viagem. Senão a melhor alternativa é ficar onde estou e esperar", afirmou.

A viagem de trem de Londres a Madri envolve ao menos uma conexão em Paris e pode durar pelo menos 15 horas. Para Lisboa, a partir da capital espanhola, são mais 7h30. Mesmo assim, o executivo carioca Breno Salek, de 37 anos, que também está "preso" em Londres desde sexta-feira, está disposto a encarar o trajeto para voltar o quanto antes a São Paulo, onde trabalha. "Dá para trabalhar pelo computador e pelo telefone daqui do meu hotel, mas, diante da incerteza sobre quando a situação vai voltar ao normal, estou tentando encontrar rotas alternativas", disse o executivo, que deveria ter embarcado para o Brasil em um voo da British Airways na sexta-feira, após uma viagem a trabalho.

"Acabo de ver na televisão que a erupção pode estar chegando ao fim. Mas o problema de ficar aqui esperando é o tamanho da fila de espera. Terão que encaixar todos os passageiros que não conseguiram embarcar em uma quantidade limitada de assentos vagos", acrescentou.

Mais de 6,8 milhões de passageiros foram afetados pela maior crise no setor de transporte desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Cerca de 63 mil voos foram cancelados nos últimos quatro dias, provocando perdas estimadas em torno de US$ 200 milhões (R$ 350 milhões) por dia. Ainda nesta segunda-feira, a França reabriu aeroportos no sul do país, como Marselha, Nice, Toulouse e Pau. A companhia aérea Air France noticiou em seu website que transportaria para Toulouse - e de lá para São Paulo - os passageiros com bilhetes para embarcar no voo desta noite.

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