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20/04/2010 - 17h09

Política externa brasileira desperta 'ciúmes', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o Brasil deixou de lado o "complexo de vira-lata" no cenário internacional e que essa postura da diplomacia brasileira "gera ciúmes e inimigos". Em discurso durante a formatura de novos diplomatas, no Itamaraty, o presidente fez um balanço de sua política externa e rebateu críticas recebidas ao longo de seu mandato. "Eu disse uma dia ao Celso (Amorim): você precisa tomar muito cuidado, porque o Brasil está começando a ficar importante. E quando um país fica importante, começa a gerar ciúmes e começa a arrumar inimigos", disse o presidente. "Aqueles que não foram capazes de fazer o que você está fazendo vão começar a ser contra. Até porque durante muito tempo nós fomos induzidos a um complexo de vira-lata. O importante era não ser ninguém", acrescentou Lula. O presidente descreveu, como exemplo, sua primeira participação na reunião do G8, o grupo dos países desenvolvidos. Segundo ele, todos os líderes presentes se levantaram da cadeira quando o então presidente George W. Bush entrou na sala. "Eu falei para o Celso: eu vou ficar sentado. Ninguém levantou quando eu cheguei", disse o presidente. "Humildemente, o Bush nos cumprimentou e sentou conosco. Isso me marcou muito", acrescentou. 'Humildade' Lula disse que sua política externa já foi alvo de "muitas críticas", sobretudo em função de sua aproximação com países com menos peso no cenário internacional, como os da África, e das concessões feitas aos países vizinhos. "Todos vocês acompanharam como alguns queriam que eu partisse para a garganta do Evo Morales (presidente da Bolívia) e esganasse ele, quando ele disse que o gás era dele, e eu não fiz porque achei que o gás era dele mesmo", disse o presidente. Segundo o presidente, a diplomacia brasileira deve continuar "generosa e humilde", mas que precisa também "defender seus interesses com orgulho". As declarações de Lula coincidem com a publicação de um artigo pelo jornal britânico Financial Times sobre a política externa brasileira. O texto afirma que o jeito "carinhoso" do Brasil é um obstáculo para que o país consiga um lugar entre as grandes potências no cenário internacional, inclusive ameaçando a conquista de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

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