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23/04/2010 - 14h14

Protestos assustam brasileiros que vivem na Tailândia

Brasileiros residentes na Tailândia disseram à BBC Brasil que estão assustados com a situação no centro da capital, Bangcoc, onde milhares de manifestantes oposicionistas, conhecidos como "camisas vermelhas", estão acampados há cerca de seis semanas em protesto contra o governo.

"Isso aqui está um caos", afirmou a dentista carioca Viviane Ribeiro, de 29 anos, que vive na área de Central Chitlom, a poucos quarteirões de Ratchadamri, local onde estão os manifestantes que exigem a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

Viviane conta que os protestos - que bloquearam as ruas do principal distrito comercial de Bangcoc - também estão atrapalhando seu marido, que não está conseguindo trabalhar.

"Ele vende mercadorias para butiques de hotéis cinco estrelas, mas os hotéis estão todos fechados. Ele está parado, sem ter o que fazer", disse.

A tensão política na Tailândia se intensificou desde o último dia 10, quando confrontos entre forças do governo e manifestantes resultaram na morte de 25 pessoas.

Na última quinta-feira, uma série de ataques com granadas na capital tailandesa deixou um morto e outras dezenas de feridos.

As explosões - atribuídas pelo governo tailandês a "grupos terroristas" - também assustaram a carioca.

"Nós escutamos nitidamente as explosões das granadas e a confusão. Parecia que era aqui bem em frente de casa. Me deu um medo", conta.

"Ilhada" Moradora de um bairro onde há uma forte presença de simpatizantes da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, na sigla em tailandês), da qual os "camisas vermelhas" fazem parte, a mineira Nítia Malta Diniz conta estar "ilhada" devido às dificuldades para se locomover pela capital tailandesa.

"Eu estou ilhada. Está tudo parado e não tem como chegar e sair facilmente aqui de casa. Tenho que fazer tudo a pé", diz.

Nítia conta que o serviço de metrô para a estação mais próxima de sua casa foi suspenso e a maioria dos táxis se nega a conduzir passageiros para aquela região, por considerar que o preço da corrida não cobre o risco de ter o carro avariado em meio aos protestos.

"No supermercado do bairro estão faltando alguns produtos, como leite e derivados. O preço da carne também subiu", diz.

A mineira estava em Bangcoc em 2008, quando confrontos entre manifestantes "camisas vermelhas" e seus opositores, os "camisas amarelas", resultaram no fechamento do aeroporto internacional da cidade por uma semana.

Para ela, no entanto, a crise atual parece ser mais grave que a de 2008.

"Agora estou mais assustada. Não quero me expor ao perigo, por isso tento ficar o máximo em casa", afirma.

O marido de Nítia trabalha com o comércio de pedras preciosas e tem um escritório no mesmo bairro onde eles residem. Segundo ela, no entanto, ele tem perdido clientes, pois poucos se arriscam a comprar peças de valor em uma região tomada por manifestantes.

"Está dando muito prejuízo. Em 2008, os residentes de Bangcoc não foram tão afetados. Eram mais os turistas que precisavam viajar que sofreram. Agora é pior", diz.

Transporte Os confrontos também assustam os brasileiros que moram em bairros mais afastados do centro dos protestos.

A carioca Érica Rodrigues da Silva, de 27 anos, afirma que só tem saído de casa para as atividades impreteríveis.

"Parei de ir ao mercado ou ao shopping se não preciso. Só faço o essencial por medo de usar o transporte público e acabar sendo pega em um confronto", diz.

"Com essa confusão toda, o melhor é nem se arriscar e ficar em casa mesmo", resume.

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