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26/04/2010 - 12h24

Presidente acusado de crimes de guerra é reeleito no Sudão

O presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, acusado de crimes de guerra no Tribunal Criminal Internacional, foi declarado o vencedor das eleições presidenciais do país ocorridas no início de abril.

De acordo com o correspondente da BBC em Cartum, James Copnall, o resultado final, com 68% dos votos para Bashir, não indica uma vitória excepcional do presidente, visto que os principais adversários boicotaram a votação.

Copnall disse que a reeleição de Bashir pode ser interpretada como um sinal de que os sudaneses rejeitam o Tribunal Criminal Internacional, que emitiu uma ordem de prisão internacional contra ele.

Bashir nega as acusações e usou o fato no início da campanha para denunciar a suposta interferência dos observadores internacionais.

Credibilidade Copnall disse que a saída dos dois principais adversários de Bashir nas eleições, citando alegações de fraude, abalou a credibilidade da votação.

O antigo grupo rebelde SPLM, que controla o sul do país, foi um dos partidos que retirou seu candidato. Mas o ex-líder rebelde Salva Kiir venceu a eleição para a presidência do sul do Sudão, com um índice de votos de 93%.

Esta eleição foi parte do acordo de paz de 2005, que pôs fim a 20 anos de guerra civil entre o norte sudanês, majoritariamente muçulmano, e o sul, onde predominam o Cristianismo e outras religiões.

Observadores e partidos de oposição reclamaram da ocorrência de fraudes no norte e no sul do país durante o pleito.

A tensão aumentou ainda mais durante o final de semana, com relatos de choques na fronteira entre o norte e sul. Cerca de 55 pessoas teriam sido mortas nestes choques entre uma comunidade árabe e soldados do sul.

Observadores da União Europeia e do Centro Carter, liderado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, afirmaram que as eleições sudanesas ficaram abaixo dos padrões internacionais.

No entanto, Jimmy Carter afirmou que acredita que a comunidade internacional deve reconhecer os vencedores como legítimos mesmo assim.

Ordem de prisão Bashir foi o primeiro chefe de Estado a ter uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Criminal Internacional.

A ONU acusa milícias árabes alinhadas com o governo de empreender uma campanha de limpeza étnica contra a população não árabe da região de Darfur, no oeste sudanês.

As Nações Unidas estimam que cerca de 300 mil pessoas morreram em Darfur em consequência da guerra, de fome ou de doenças.

Até hoje a guerra continua, e três milhões de pessoas vivem em campos de refugiados.

Bashir tomou o poder depois de um golpe de Estado em 1989. As atividades partidárias e sindicais foram proibidas durante dez anos, quando foi iniciado um processo de restabelecimento da democracia no país.

Um referendo deve ocorrer em 2011 para decidir a independência do sul do país. Bashir já afirmou que aceitará o resultado do referendo, mesmo que ele seja favorável à independência.

Entretanto, observadores apontam que importantes áreas petroleiras se localizam justamente ao longo da divisa entre o sul e o norte. O temor é que uma possível mudança rumo à independência do sul leve a uma retomada dos conflitos civis.

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