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27/04/2010 - 12h32

Abbas decreta boicote a produtos de assentamentos israelenses

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, assinou um decreto proibindo a venda, nos territórios palestinos, de produtos fabricados nos assentamentos israelenses. Os comerciantes que violarem a ordem, que entrará em vigor na semana que vem, estarão sujeitos a multas de até US$ 14 mil e a penas de até cinco anos de prisão. O porta-voz do presidente palestino, Mohamed Edwan, disse à BBC Brasil, que o objetivo do decreto do presidente Abbas é "por um fim à situação atual" em que nos mercados e lojas das cidades palestinas são vendidos desde frutas e legumes até enlatados, brinquedos infantis e produtos cosméticos provenientes dos assentamentos. Segundo as avaliações do Ministério da Economia da Autoridade Palestina, os assentamentos israelenses na Cisjordânia ganham centenas de milhões de dólares vendendo produtos agrícolas e industriais aos palestinos. Cerca de 300 mil colonos israelenses moram em mais de cem assentamentos na Cisjordânia, e os palestinos reivindicam a retirada desses assentamentos para que possam construir seu futuro Estado. De acordo com o assessor de Abbas, Hassan El Ouri, "os assentamentos são um câncer no corpo palestino e têm o objetivo de prejudicar o indivíduo, a terra e o destino palestinos, portanto deve-se combatê-los com todos os meios disponíveis". Funcionários de assentamentos O vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, condenou o decreto do presidente palestino. "Quem toma uma medida como essa não quer a paz, mas sim continuar o conflito", disse Shalom. "O decreto prejudica não só a possibilidade de diálogo, mas também os palestinos que trabalham nas fábricas que Abu Mazen (apelido do presidente Mahmoud Abbas) quer boicotar." A maioria dos trabalhadores nos assentamentos é de palestinos, e o decreto do presidente não inclui a proibição ao trabalho de palestinos nesses locais. "Não podemos proibir as pessoas de trabalharem nos assentamentos sem oferecer-lhes uma alternativa", disse o porta-voz Edwan. Cerca de 20 mil palestinos trabalham nos assentamentos israelenses na Cisjordânia e mais 20 mil têm permissões especiais para trabalhar dentro de Israel. Na época do acordo de Oslo, em 1993, quando havia um clima de otimismo na região, o número de palestinos que trabalhavam em Israel chegou ao auge de 120 mil. Naquele período quase não havia trabalhadores palestinos nos assentamentos. Porém, com a escalada da violência e o congelamento do processo de paz, Israel passou a proibir a entrada de trabalhadores palestinos em seu território e mais de 100 mil pessoas perderam seus empregos em Israel. "À medida em que os palestinos foram perdendo a possibilidade de trabalhar dentro do território israelense, foi aumentando o número daqueles que não tinham outra opção exceto trabalhar nos assentamentos na Cisjordânia", disse à BBC Brasil Hana Zohar, diretora da ONG israelense Kav Laoved, que defende os direitos dos trabalhadores palestinos e estrangeiros. De acordo com Zohar, os palestinos que trabalham nos assentamentos ganham um salário "bastante inferior" ao salário mínimo em Israel. Um trabalhador agrícola nos assentamentos ganha cerca de 1,8 mil shekels por mês - o equivalente a R$ 900 - e o salário mínimo em Israel é de 3.850 shekels (cerca de R$ 1,9 mil). Os trabalhadores palestinos no setor da construção civil e no setor industrial dos assentamentos ganham cerca de 3.000 shekels por mês (R$ 1,5 mil).

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