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27/04/2010 - 18h37

Brasil e Irã devem trabalhar por nova ordem mundial, diz Ahmadinejad

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira ao chanceler Celso Amorim que Brasil e Irã devem trabalhar por uma nova ordem mundial.

"Irã e Brasil devem desempenhar um papel maior na criação de uma nova ordem mundial mais justa", disse Ahmadinejad após um encontro com o chanceler em Teerã.

Amorim está no país para preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio. O ministro se encontrou com o presidente do Parlamento iraniano, Ari Larijani, com o chanceler do país, Manouchehr Mottaki, e com Ahmadinejad.

Além do líder iraniano, Mottaki também ressaltou a importância do Irã e do Brasil no cenário global e afirmou que os dois são "grandes jogadores internacionais que podem desempenhar um papel fundamental no estabelecimento da paz e da segurança internacionais".

"Estamos otimistas sobre as perspectivas de uma cooperação coletiva entre os dois países e acreditamos que a ampliação desses laços irá beneficiar tanto as duas nações como toda a região", disse Mottaki.

Amorim, por sua vez, disse que encerrou sua missão no Irã de forma "mais otimista" sobre um acordo para evitar sanções contra o país.

"As conversas em Teerã foram profundas e complexas, mas não definitivas. Saio daqui mais otimista", disse Amorim, antes de embarcar de volta ao Brasil.

Garantias Durante a visita, o chanceler voltou a defender o diálogo como a melhor saída ao impasse sobre o programa nuclear do país, mas afirmou que o Irã tem que garantir à comunidade internacional que seu programa não tem objetivos militares.

Em entrevista coletiva transmitida pelo canal iraniano em inglês Press TV, após encontro com o chanceler iraniano, Amorim também fez um apelo para que o governo iraniano e as potências mundiais demonstrem "flexibilidade" para chegar a um acordo sobre o assunto.

"O Irã deve ter o direito de manter atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não haverá violações nem desvios para o uso em fins militares", afirmou o ministro.

"Na maioria das vezes, por algum motivo, pode haver dúvidas e até suspeitas. Mas o que o Brasil diz é que todas essas ambiguidades precisam ser eliminadas." Em entrevista à agência de notícias oficial iraniana Irna após os encontros em Teerã Amorim afirmou que o Brasil está interessado em evitar que o Conselho de Segurança da ONU imponha uma nova rodada de sanções ao Irã.

"Acreditamos que sanções são ineficientes", afirmou. "A única coisa que as sanções fazem é prejudicar as pessoas, principalmente as classes mais baixas." O Brasil é membro temporário do Conselho, que reúne ainda outros 14 países. Para serem aprovadas, as sanções precisariam de pelo menos nove votos na organização, sem que nenhum dos membros permanentes usem seu poder de veto.

Ainda na mesma entrevista, Amorim disse que o Brasil poderia considerar a hipótese de realizar em território nacional o enriquecimento de urânio para o Irã.

"Até o momento, não houve uma proposta. Mas se recebermos essa proposta, ela seria examinada", afirmou.

Sobre as críticas à aproximação do Brasil com o Irã, o ministro afirmou que elas são "naturais".

"Até nossos melhores técnicos de futebol enfrentam críticas", brincou. "Mas as críticas não podem ser vistas como uma pressão."

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