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27/04/2010 - 17h02

França determina que Noriega fique preso até julgamento

A Justiça francesa determinou nesta terça-feira que o ex-líder do Panamá Manuel Noriega, extraditado dos Estados Unidos para a França, permaneça preso enquanto espera seu julgamento por lavagem de dinheiro supostamente proveniente do tráfico de drogas.

Noriega, de 74 anos, havia embarcado na noite de segunda-feira em Miami em um voo comercial da Air France. Ele deixou o aeroporto Charles de Gaulle sob escolta policial em direção ao Tribunal de Justiça de Paris.

O ex-presidente panamenho havia sido condenado à revelia na França, em 1999, a uma pena de dez anos de prisão por lavagem de dinheiro. A Justiça francesa quer agora realizar um novo julgamento.

O advogado de Noriega na França, Yves Leberquier, alegou na noite de segunda-feira que o ex-presidente não pode ser julgado novamente porque haveria prescrição das acusações contra ele, que seriam baseadas em fatos ocorridos nos anos 80, e também em razão de sua imunidade como ex-chefe de Estado.

O advogado de Noriega disse que "esse caso apresenta grandes dificuldades jurídicas e, em razão disso, vamos pedir que a Justiça francesa se declare incompetente para avaliá-lo".

O julgamento de Noriega na França deve ser realizado em até dois meses após a decretação de prisão provisória e o prazo só pode ser renovado uma vez.

Histórico
Em 1999, Noriega foi considerado culpado por ter lavado na França milhões de dólares supostamente provenientes do cartel de drogas de Medellín por meio do Banco de Comércio e Crédito Internacional (BCCI).

Segundo a Justiça francesa, cerca de 20 contas bancárias haviam sido abertas em Paris e Marselha, no sul da França, por Noriega ou pessoas ligadas a ele em bancos como o BNP, CIC, Crédit Lyonnais e também o Banco do Brasil.

Tido como grande aliado dos Estados Unidos na época da Guerra Fria, Noriega perdeu o apoio de Washington por sua participação no tráfico de drogas.

Ele foi deposto e capturado em 1989 durante a intervenção militar americana no Panamá.

Noriega foi condenado a 40 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas, mas sua pena acabou sendo reduzida a 17 anos por boa conduta.

Mas alguns dias antes da data prevista de sua libertação, em setembro de 2007, um juiz federal americano aprovou sua extradição para a França.

Em 22 de março passado, a Justiça recusou a Noriega o direito de depor novamente nesse processo de extradição, pondo fim ao seu último recurso.

As autoridades francesas foram informadas há 15 dias da extradição de Noriega, informou o porta-voz do governo.

Segundo o advogado de Noriega no Panamá, Julio Berrios, a extradição do ex-líder para a França "seria o resultado de um acordo secreto entre os dois últimos governos do Panamá, os Estados Unidos e a França para que ele não retorne ao país".

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