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27/04/2010 - 19h18

Mulher de Noriega tinha mais de R$ 70 mil no Banco do Brasil em Paris

O ex-líder do Panamá Manuel Noriega, extraditado para a França para ser julgado por crime de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, possuía entre 30 e 40 mil euros (R$ 70 mil e R$ 93 mil) em uma conta no Banco do Brasil em Paris em nome de sua esposa, Felicidad, disse à BBC Brasil a vice-procuradora francesa Isabelle Montagne.

O montante no Banco do Brasil é, no entanto, apenas uma ínfima parte dos milhões de euros depositados pela família Noriega em outros bancos na França e que foram confiscados pela Justiça francesa em 1999, quando o ex-presidente foi condenado à revelia a dez anos de prisão por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e a uma multa de 11,2 milhões de euros (R$ 26 mi).

Noriega, de 76 anos, chegou à França na manhã desta terça-feira, extraditado dos Estados Unidos, onde cumpriu pena de 17 anos de prisão por narcotráfico.

Dinheiro De acordo com a vice-procuradora, Noriega havia transferido à França, nos anos 80, o total de 2,3 milhões de euros. Sua esposa, Felicidad, possuía depósitos no valor de 3 milhões de euros (R$6,9 mi).

Segundo a Justiça francesa, Noriega e sua mulher tinham cerca de 20 contas bancárias em Paris e Marselha, no sul da França, nos bancos BNP, CIC, Crédit Lyonnais, além do Banco do Brasil.

Noriega era proprietário de três apartamentos em bairros luxuosos em Paris, também confiscados.

A porta-voz da Procuradoria de Paris afirma que os bancos onde as contas foram abertas não sofreram nenhum questionamento por parte Justiça nem estão implicados no caso.

Segundo ela, na época não havia na França uma lei que obrigava as instituições bancárias declararem às autoridades financeiras depósitos considerados suspeitos.

Prisão Ainda nesta terça-feira, o ex-presidente teve sua prisão provisória decretada pela Justiça francesa, que quer julgá-lo novamente por crime de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, ocorrido nos anos 80.

O ex-presidente panamenho já foi transferido para a prisão da Santé, em Paris, onde deve permanecer até o julgamento.

"É certo que haverá um novo julgamento. Noriega estava ausente durante a primeira decisão, em 1999, e, como foi condenado à revelia, tem o direito de ser julgado novamente", afirma a vice-procuradora.

Segundo ela, o julgamento de Noriega em Paris deve ocorrer em junho ou no início de julho.

Mas a defesa do ex-líder do Panamá tenta impedir a realização de um novo julgamento alegando que a extradição para a França seria ilegal. Eles afirmam que as acusações contra Noriega já teriam prescrito.

Os advogados de Noriega afirmam ainda que as quantias confiscadas na França seriam referentes a salários que ele teria recebido da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na época em que trabalhou como informante, além de recursos provenientes da fortuna pessoal de sua esposa e da herança deixada por um irmão do ex-presidente.

Segundo a imprensa francesa, na audiência com o juiz que decretou sua prisão temporária, Noriega pediu para ser repatriado para o Panamá, como prevê seu estatuto de prisioneiro político, concedido pelos Estados Unidos.

Seus advogados afirmam que a Convenção de Genebra prevê o repatriamento do acusado após o cumprimento da pena, o que já havia ocorrido nos Estados Unidos.

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