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27/04/2010 - 06h18

Noriega passou de aliado a prisioneiro dos EUA

A extradição do general Manuel Noriega de Miami para a França conclui mais de meio século do relacionamento entre os Estados Unidos e o ex-líder do Panamá.

As ligações de Noriega com os Estados Unidos começaram na década de 50, quando, de acordo com vários relatos, ele foi recrutado como informante da CIA (agência de inteligência americana) quando estudava em uma academia militar no Peru.

O militar acabou se tornando uma figura útil para os americanos em uma região que estava ficando politicamente hostil aos interesses dos Estados Unidos, principalmente com o desenrolar da Revolução Cubana.

Noriega subiu na hierarquia das Forças Armadas do Panamá para se tornar um aliado-chave do general Omar Torrijos, o dirigente militar que assinou um tratado com os Estados Unidos para recuperar a soberania da zona do Canal do Panamá, em 1977.

Eminência parda Depois da morte de Torrijos em um misterioso desastre de avião em 1981, Noriega tornou-se uma eminência parda no país, como chefe dos serviços de segurança.

Os Estados Unidos consideravam o Panamá como um posto de observação regional e Noriega cumpriu o seu papel, apoiando a guerra dos Contra (movimento anti-sandinista) na Nicarágua e a luta contra a FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, de tendência esquerdista) em El Salvador.

Ao mesmo tempo, Noriega começou a reprimir dissidentes no Panamá, especialmente depois do assassinato de Hugo Spadafora, um opositor político cujo corpo foi encontrado decapitado em 1985.

Noriega supostamente teve um papel importante em meados da década de 80, no chamado caso Irã-Contra, em que figuras-chave da CIA facilitaram o tráfico de armas para o Irã, que estava sob embargo internacional, para assegurar a libertação de reféns e financiar os Contras da Nicarágua.

Mas os Estados Unidos começaram a suspeitar de que Noriega estava vendendo seus serviços para outros órgãos de inteligência e, para quadrilhas de narcotráfico.

Cueca vermelha As tensões entre as autoridades americanas e Noriega vieram a público em 1988, quando o líder panamenho foi indiciado em um tribunal federal americano por narcotráfico.

A invasão americana do Panamá em 1989 e a prisão de Noriega acabaram com a influência do militar no país.

Durante o seu julgamento, também vieram à tona detalhes da vida pessoal de Noriega. Na época foi dito que ele usava cueca vermelha para espantar "mau olhado".

Em 2007, Noriega cumpriu pena de 17 anos de confinamento em uma prisão de Miami, mas permaneceu sob custódia por causa do pedido de extradição feito pela França.

Na prisão, ele ocupava uma cela com televisão e outros privilégios.

O advogado de Noriega, Frank Rubino, disse à BBC na época que logo seria um homem livre, mas teria que enfrentar acusações pela morte de Spadafora caso se algum dia voltasse para o Panamá.

Noriega havia sido condenado a 20 anos de prisão no Panamá pelo assassinato do dissidente.

Mas as autoridades panamenhas nunca tiveram interesse em um eventual retorno de Noriega ao país. Muitos achavam que ele poderia desestabilizar o quadro político local, mesmo com 76 anos de idade, disse o correspondente da BBC em Miami, Javier Aparisi.

Segundo Aparisi, pode ter sido um alívio para os panamenhos ver a Suprema Corte dos Estados Unidos atender o pedido de extradição apresentado pela França, em março.

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