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28/04/2010 - 18h51

Chávez diz não ter previsão de quando deixará o poder

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quarta-feira que não tem previsão de quando deixará o poder e que permanecerá no cargo enquanto essa for a "vontade" de seu povo.

"Vocês conhecem nossa Constituição, e a Constituição é a vontade de um povo", disse Chávez, logo após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Questionado sobre quando deixaria o governo, Chávez respondeu: "sei lá".

"Se o povo e o partido decidirem que devo ser candidato novamente, vamos ver", acrescentou, lembrando que a Venezuela terá eleições presidenciais em 2012.

Chávez disse ainda que o Brasil terá, em breve, "um novo presidente ou presidenta", mas que no caso da Venezuela, sua sucessão não está prevista.

"Onde é que está previsto isso? Não tenho sucessor previsto", disse o chefe de Estado venezuelano, que está há 12 anos no cargo.

Questionado sobre a possibilidade de sua permanência no cargo prejudicar a democracia no país, Chávez disse que é preciso "respeitar as particularidades de cada país".

Em um plebiscito realizado em 2009, os venezuelanos aprovaram a reeleição ilimitada no país.

'Subordinação' Chávez aproveitou o encontro bilateral para elogiar o governo Lula, que, segundo ele, encerrou uma fase de "subordinação brasileira às pressões de Washington".

Lula e Chávez elogiaram a aproximação entre os dois países, que de acordo com os líderes, "praticamente não existia" antes de seus governos.

"Fizemos em oito anos o que nunca foi feito em dois séculos", disse o presidente da Venezuela.

Essa é a 17ª reunião bilateral entre Lula e Chávez desde 2003.

O presidente da Venezuela evitou fazer comentários sobre as eleições de outubro. Mais cedo, porém, na saída do hotel, Chávez manifestou sua simpatia pela pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

"Meu coração está com Dilma. Um beijo, Dilma", disse o líder venezuelano.

Paraguai Sobre o conflito na fronteira entre Brasil e Paraguai, o presidente Lula disse que pretende discutir "algumas medidas" com seu colega, Fernando Lugo, em um encontro agendado para esta segunda-feira, em Ponta Porá (MS).

"Quero conversar muito seriamente com o Lugo sobre que está acontecendo na fronteira", disse Lula.

"Acho uma insanidade alguém achar que, usando a violência, vá colocar medo no Estado brasileiro e no paraguaio", acrescentou.

Um dos assuntos em pauta deverá ser a revisão do refúgio a três militantes de esquerda paraguaios, concedido pelo governo brasileiro, em 2003. Desde então, o governo paraguaio vem contestando a decisão.

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