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28/04/2010 - 07h21

Governo grego tenta coibir especulação em meio a agravamento de crise

Os órgãos reguladores do mercado na Grécia proibiram a prática das vendas a descoberto (short selling) - vendas de ativos emprestados na expectativa de recomprá-los depois por um preço inferior - depois de quedas generalizadas de ações de bancos no país.

A proibição tem por objetivo impedir que os investidores apostem na queda dos preços das ações, o que poderia prejudicar ainda mais a confiança no mercado.

Na terça-feira, as ações dos bancos gregos caíram 9% em meio à crescente preocupação com a crise de débito que afeta a Grécia e tem provocado temores em vários dos principais mercados do mundo. Nesta quarta-feira, as bolsas asiáticas fecharam em baixa. A bolsa de Tóquio fechou em queda de 2,6%. Os mercados da Austrália, Hong Kong e Coreia do Sul perderam cerca de 1%. Pela manhã, as bolsas de Paris e Frankfurt operavam em baixa de 0,5%.

Essas quedas seguem a tendência de baixa verificada na terça-feira nos Estados Unidos e na Europa, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o grau de investimento da Grécia, cujos títulos da dívida agora são considerados "podres".

Isso significa que a agência passou a ver a Grécia com um país de alto risco para investimentos e provoca uma alta na taxa de juros cobrada por investidores para emprestar dinheiro ao governo grego.

Taxa de juros

Nesta quarta-feira, esta taxa de juros chegou a 10,13% para títulos de 10 anos - considerada extremamente alta para países da zona do euro.

Também nesta quarta, o diretor-geral do FMI viaja à Alemanha, onde vai pedir a parlamentares do país que apoiem o pacote de resgate para a economia grega. A Alemanha é o país da zona do euro que entraria com a maior parte - cerca 8,4 bilhões de euros - do pacote de ajuda à Grécia.

Berlim mostrou relutância em liberar o dinheiro, porque queria que a Grécia adotasse mais medidas de austeridade. E a liberação ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento alemão.

Dominique Strauss-Kahn vai a Berlim acompanhado do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, para tentar convencer os políticos alemães de que a ajuda de bilhões de euros para a Grécia é "o último recurso".

Avanços nas negociações para liberar a ajuda à Grécia também poderiam acalmar os investidores.

Durante uma visita a Tóquio nesta quarta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, anunciou que uma reunião dos chefes de Estado e governo europeus será realizada no próximo dia 10 de maio para discutir a crise grega.

No mesmo dia, o jornal britânico Financial Times informou que o FMI está estudando aumentar sua contribuição para o pacote de ajuda em 10 bilhões de euros, para um total de 25 bilhões de euros.

Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos alemães são contra a ajuda à Grécia.

O governo grego precisa obter alguma ajuda até meados de maio, quando vence uma dívida de 8,5 bilhões de euros.

Na Grécia, manifestantes defendem que o país dê o calote para que os bancos internacionais arquem com o preço da crise.

Preocupação

A preocupação entre os investidores é de que a falta de confiança na Grécia se espalhe por outros países da zona do euro cujas economias estão enfraquecidas.

A classificação de Portugal também foi reduzida em dois pontos para A-, em meio a preocupações com as finanças públicas.

Segundo analistas, os mercados não estão convencidos de que os governos da zona do euro vão ter a vontade política necessária para chegarem a um acordo sobre a ajuda para a Grécia, especialmente na Alemanha.

Na terça-feira, a chanceler alemã gela Merkel reiterou que a Grécia precisa apresentar novos passos para reduzir o déficit de seu orçamento antes que seu governo endosse a liberação do pacote de ajuda de 45 bilhões de euros.

"Vocês têm que economizar, vocês têm que ser justos, vocês têm que ser honestos; senão, ninguém pode ajudá-los", ela advertiu.

O ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, disse que o rebaixamento da classificação da dívida "não reflete o estado real de nossa economia, nem a situação fiscal, nem as negociações que têm perspectivas muito realistas de que serão completadas com sucesso nos próximos dias".

"A gente gostaria que a Europa agisse de maneira um pouco diferente. Três, quatro meses atrás estávamos dizendo que o mecanismo tinha que estar pronto e tinha que ser detalhado, que os mercados precisavam saber exatamente o que está acontecendo. Infelizmente, por uma série de razões políticas, estamos no limite", disse ele.

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