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28/04/2010 - 17h30

Portugal estuda medidas para tentar conter crise

O primeiro-ministro português, José Sócrates, se reuniu nesta quarta-feira com o líder do principal partido de oposição, Pedro Passos Coelho, para discutir medidas para tentar conter a crise econômica no país.

Ao final da reunião, Sócrates afirmou que pretende anunciar medidas para reduzir o déficit, alterando os apoios sociais aos mais desfavorecidos e cortando no seguro desemprego.

"Estamos vivendo um ataque sem fundamento ao euro e à dívida soberana portuguesa. Vamos mostrar ao mercado que Portugal cumpre os seus compromissos", afirmou o premiê em comunicado.

Portugal foi um dos países mais atingidos nos últimos dias pelo impacto do agravamento da crise grega. Somente nos dois primeiros dias desta semana, a bolsa de valores portuguesa registrou uma queda de 8,7% - um sinal da insegurança do mercado.

Nesta quarta-feira, até o meio do pregão, a bolsa já tinha registrado queda de 1,25%, o que derrubou o valor de mercado das empresas cotadas em Portugal num total de 7 bilhões de euros.

A queda é reflexo do anúncio, na terça-feira, do rebaixamento do rating da dívida pública portuguesa pela agência de classificação Standard & Poor's, que baixou a avaliação de uma dívida em dois graus, de A+ para A-, sem passar pelo A, pela primeira vez na história.

Com o corte, o país fica em penúltimo lugar da Europa, apenas abaixo da Grécia, que tem o rating quatro níveis mais baixo que o português e é considerada incapaz de pagar suas dívidas.

Já no mês de março, a agência Fitch rebaixou um nível a dívida portuguesa, passando de AA para AA-. Ainda é aguardada a avaliação da terceira grande agência, a Moody's.

Consequência da queda na avaliação, os seguros de risco sobre a dívida - em inglês Credit Deffault Swap - chegou a 4%, cerca de metade do que tem que ser pago para garantir a dívida grega. A diferença entre a taxa de juros europeia Euribor e o que Portugal paga tem subido dia a dia. Ontem, a rolagem da dívida estava em 2,68% acima da taxa europeia.

Sem comparação Políticos e economistas portugueses têm insistido que não é possível comparar a situação de Portugal com o cenário econômico grego.

Ao contrário da Grécia, Portugal não falsificou suas contas para dizer que tem um déficit abaixo do anunciado. A dívida externa é de 75% do PIB - a grega ultrapassou 110% - e o déficit público, apesar de ter ficado em 9,4% no ano passado, é apenas o quinto mais alto da União Europeia, abaixo dos déficits da Grã-Bretanha, da França e da Espanha.

A resposta do governo foi um plano ambicioso que prevê baixar o déficit público para 2,8% até 2013, sendo que este ano atingiria 8,3%. Para diminuir a dívida pública, o dinheiro viria de privatizações, aumento de arrecadação e cortes.

A crise ocorre depois de quatro anos com crescimento fraco ou negativo do PIB português. Em 2005, a economia portuguesa teve um crescimento de 0,94%, no ano seguinte atingiu 1,40% e 2007 foi o segundo melhor da década, crescendo 1,87%. Em 2008 começou a decrescer, terminando o ano com um total -0,02%, inferior ao ano anterior. No ano seguinte, em consequência da crise financeira internacional, o PIB caiu -2,52%.

Para o aumento de arrecadação, é necessário um crescimento econômico que poucos acreditam que vai acontecer. O próprio governo baixou a expectativa de aumento do PIB de 0,8% para 2010 para 0,7%, enquanto o FMI avaliou que Portugal não vai crescer mais do que 0,3% este ano.

Greves A população de Portugal já demonstrou resistência aos cortes nos gastos e congelamentos de salários previstos pelo governo para conter a crise.

Nesta semana, funcionários do setor de transportes e dos correios realizaram paralisações em todo país. Os trabalhadores do Parlamento português também realizaram a primeira greve da hsitória da casa, o que provocou a paralisação das sessões.

Além destes setores, outras categorias prometem protestar nas próximas semanas, entre as quais a mais mobilizada é a dos professores públicos.

Segundo a grande maioria dos economistas, o grande problema de Portugal é que o país produz menos do que consome.

Nos últimos cinco anos, o PIB cresceu 19,6 bilhões de euros, e a dívida externa portuguesa cresceu 72,4 bilhões de euros.

Ao mesmo tempo, os portugueses deixaram de poupar - atualmente o índice de poupança em Portugal é o quarto mais baixo da Organização do Crescimento e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo de economias mais ricas do mundo, com 27 países.

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