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03/05/2010 - 07h38

Gordon Brown cultiva imagem de 'homem sério para tempos difíceis'

Em entrevistas recentes, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, tentou se dissociar de sua imagem pública de ser reservado e pouco afeito a contatos com o público, descrevendo-se como um "livro aberto".

É uma afirmação e tanto, para um homem que durante os dez anos - um recorde - em que foi ministro das Finanças foi frequentemente retratado como misterioso, emergindo de seu escritório apenas duas vezes por ano para fazer discursos densos sobre as finanças do país na Câmara dos Comuns.

Na verdade, Brown, de 59 anos, sempre pareceu sentir-se pouco confortável com as demandas da mídia moderna, sem o carisma de seu predecessor, Tony Blair.

Seus assessores tentaram, de várias maneiras, capitalizar essas características, tentando tratá-las como algo positivo. Várias vezes Gordon foi chamado em público de "um homem sério para tempos difíceis", ou "Nada de Flash, apenas Gordon".

Mas com a aproximação de eleições gerais, ele foi encorajado a "se abrir" para as câmeras. Em uma entrevista recente, ele tentou esconder as lágrimas, ao falar da morte de sua primeira filha, Jennifer Jane.

Brown foi criado em Kirkcaldy, uma pequena cidade costeira ao norte de Edimburgo, Escócia.

Reconhecimento nacional Segundo filho do reverendo John Ebenezer Brown, da Igreja da Escócia, James Gordon Brown era um menino tímido, estudioso, que gostava de esportes. Aos 16 anos, tornou-se o estudante mais novo de história na Universidade de Edimburgo. Na época da universidade, sofreu um acidente jogando rúgbi, que o deixou cego de um olho.

Brown tornou-se deputado trabalhista em uma segunda tentativa, em 1983, após trabalhar brevemente como conferencista e professor universitário e como repórter de TV. Começou a forjar uma aliança com os colegas Tony Blair e Peter Mandelson, que, assim como ele, acreditavam que o Partido Trabalhista precisa se modernizar e aumentar sua capacidade de impacto junto ao público, se quisesse voltar ao poder algum dia.

Quando o líder trabalhista John Smith morreu em 1994, a maioria acreditava que Brown - então porta-voz da oposição para assuntos de finanças, seria seu sucessor.

A hora da virada Mas após Mandelson - que até aquele ponto era seu partidário mais entusiasmado - ter dito que Blair era a melhor aposta para levar os trabalhistas de volta ao poder, Brown concordou em dar a Blair a oportunidade de concorrer sozinho à liderança do Partido Trabalhista, partindo da premissa de que o poder seria entregue a ele em algum momento do futuro.

Após a esmagadora vitória trabalhista em 1997, Brown se tornou o mais poderoso ministro das Finanças da história moderna do país.

Mas ele jamais deixou de cobiçar o cargo de premiê, e pareceu ter passado muitos dos dez próximos anos tentando fazer com que Blair cumprisse sua parte no trato. Quando Blair finalmente deixou o poder em 2007, após vencer três eleições, Brown foi coroado líder do partido, e premiê, sem disputa.

Brown tentou dissociar-se da era do marketing político, ao afirmar que fazia política com princípios morais.

A estratégia pareceu funcionar. Nos seus primeiros meses de trabalho, pesquisas de opinião davam a Brown e a seu partido altíssimos índices de aprovação, à medida que ele adotava medidas contra terrorismo, enchentes e o colapso do banco Northern Rock.

Ele chegou a considerar uma eleição geral relâmpago em 2007 para cimentar sua posição como premiê, mas mudou de ideia na última hora, após um ligeiro aumento na popularidade dos conservadores, dizendo que queria mais tempo para tornar seus planos realidade.

Foi um momento determinante.

Opositores dizem que ele mostrou que tática, e não princípios, guiava sua forma de fazer política. Com a reputação ameaçada e a economia britânica em crise, os trabalhistas caíram vertiginosamente nas pesquisas, e, ao longo dos dois últimos anos, Brown foi atingido por renúncias ministeriais e tentativas de demovê-lo.

Brown espera que os eleitores concordem com sua visão, de que sua experiência em lidar com a crise econômica o torna o melhor homem para governar o país no caminho da recuperação.

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