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04/05/2010 - 06h18

Mexicanos chamam boicote contra Arizona por lei de imigração

Políticos de diversos níveis e organizações civis mexicanas começaram um boicote comercial e turístico ao estado americano do Arizona, em protesto contra uma lei estadual de combate à imigração ilegal.

Governadores, empresários, deputados, senadores, partidos políticos e organizações cívicas do país aderiram ao movimento social, o primeiro desta natureza.

Até o presidente mexicano, Felipe Calderón, pediu aos mexicanos que evitem viajar a esse Estado, que faz fronteira com o Estado mexicano de Sonora.

O resultado da iniciativa só começará a ficar claro nas próximas semanas, mas os organizadores estão otimistas.

"Um ponto sensível para os americanos é o bolso", disse à BBC o ex-ouvidor da Cidade do México, Emilio Alvarez Icaza.

"Quando eles notarem o impacto do boicote na economia vão se dar conta de que não podem tratar os mexicanos como cidadãos de segunda categoria." O boicote mexicano se une a um boicote semelhante patrocinado por organizações e Estados americanos.

A nova lei prevê que a polícia do Arizona aborde e interrogue qualquer pessoa suspeita de estar no país ilegalmente. Críticos da legislação dizem que a lei pode gerar discriminações contra cidadãos de origem hispânica e inflamar a tensão racial.

O boicote é promovido de maneira independente por vários setores da sociedade. Segundo Alvarez Icaza, até o presidente mexicano tem tido um papel diplomático "inusual".

Recentemente o Ministério de Relações Exteriores mexicano emitiu um alerta para que cidadãos que visitem, residam ou estudem no Arizona tomem precauções e levem consigo seu documento migratório durante todo tempo.

"Deve-se assumir que todo cidadão mexicano poderá ser incomodado e questionado sem razão maior a qualquer momento", afirma o comunicado da chancelaria mexicana.

Para o presidente Calderón, a lei estadual SB1070 pode terminar saindo pela culatra para os próprios apoiadores da legislação.

"Não só perdem os mexicanos, ao serem objeto desta ameaça, mas também perdem os Estados Unidos e o Arizona, onde muitas cidades dependem precisamente do fluxo comercial e da presença de mexicanos nesse estado", afirmou o presidente.

Frente unida

A legislação uniu contra si partidos e organizações políticas adversárias no México, na fronteira e no interior do país.

O presidente do partido do governo, Ação Nacional (PAN), César Nava, pediu que os mexicano evitem fazer compras nas lojas de Phoenix e Tucson, muito visitadas por habitantes das cidades fronteiriças mexicanas.

Já o líder do Senado, Carlos Navarrete, do Partido da Revolução Democrática (PRD), enviou uma carta ao presidente Barack Obama pedindo ações para "parar imediatamente" a promulgação da lei.

"(A lei) é francamente xenófoba, agressiva, inadmissível para nós", disse Navarrete. Ele disse que é preciso "evitar o contágio do que se fez no Arizona para outros Estados".

Governadores de Estados mexicanos que fazem fronteira com os EUA, como Baja Califórnia, Chihuahua, Nuevo Leon e Coahuila, anunciaram que não vão participar de uma reunião de líderes de regiões fronteiriças marcada para ocorrer no Arizona no próximo mês de setembro.

Já os conselheiros do Instituto de Mexicanos no Exterior (IME), um órgão governamental ligado ao Ministério do Exterior, pediu aos cidadãos que não freqüentem encontros esportivos em qualquer local dos Estados Unidos.

O órgão, que representa comunidades de mexicanos que vivem fora do país e têm influência sobre cerca de 15 milhões de pessoas, defendeu um boicote específico contra as equipes de futebol e basquete do Arizona.

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