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05/05/2010 - 06h05

Grã-Bretanha põe em prática seu modelo de democracia

A Grã-Bretanha realiza nesta quinta-feira suas eleições parlamentares, colocando em prática mais uma vez uma das mais antigas fórmulas de democracia do mundo. Tão complicada quanto tradicional, a democracia britânica lembra como o sistema em que o poder se origina do cidadão pode variar mundo afora, com diferentes vantagens e defeitos.

"A democracia é uma forma de governo, o que significa que as pessoas têm o poder de tomar as decisões. Mas isso não quer dizer que sejam as melhores decisões", disse à BBC Brasil o cientista político Marc Plattner, co-fundador da revista acadêmica "Journal of Democracy". Para ele, "a melhor democracia não significa necessariamente a melhor sociedade".

Existem inúmeros modelos diferentes de democracia , do regime americano, em que as eleições presidenciais são na verdade 50 disputas estaduais, ao parlamentarismo da Índia, a maior democracia do mundo, passando pelo presidencialismo brasileiro. Nenhum foi capaz até hoje de se autoproclamar um "regime democrático perfeito".

As eleições britânicas ocorrem com voto distrital, em que a maioria simples dá a vitória a um partido em um distrito que representa uma cadeira na Câmara Baixa do Parlamento, a Câmara dos Comuns. O partido com maioria na câmara governa, ou seja, o Executivo nasce do Legislativo, como em qualquer outro típico regime parlamentarista.

Mas muitos nesta eleição esperam ver o fim do regime de voto distrital, por acreditarem que o voto proporcional é mais representativo da vontade da população. O atual sistema é preferido por outros, que o consideram favorável à governabilidade, por reduzir a necessidade de coalizões políticas, muitas vezes frágeis.

A ideia de democracia, no entanto, muitas vezes difere em aspectos ainda mais profundos, e a BBC Brasil mostra numa série de reportagens os diferentes modelos de regimes que se autodenominam democráticos e que, não raramente, exibem falhas na sua essência ou na sua aplicação.

Voto e confiança Nos Estados Unidos, George W. Bush foi eleito presidente pela primeira vez com menos votos que o seu adversário, já que conseguiu mais membros no Colégio Eleitoral, num sistema semelhante ao britânico. O episódio, segundo especialistas, ajudou a corroer a confiança do cidadão no modelo de democracia americano, enquanto a confiança no governo segue muito mais baixa do que foi no passado.

"Nos anos 1960, três quartos dos americanos confiavam no governo e agora o número se inverteu; cerca de 55% dos americanos confiavam em estranhos e agora são 30%", diz Thomas Sander, especialista da Harvard Kennedy School.

Na Índia, Manmohan Singh tornou-se primeiro-ministro sem ter sido candidato ao posto. Seu partido, o Congresso, venceu, mas sua líder, Sonia Gandhi, recusou o cargo de chefe de governo, oferecendo-o então ao colega de partido. A surpresa do resultado final da disputa em 2004 apenas reforça o caráter partidário do parlamentarismo indiano, sistema que leva 700 milhões de eleitores às urnas e do qual seus cidadãos são muito orgulhosos.

O fim do comunismo na Rússia introduziu no país dos czares e bolcheviques um conceito novo, o da eleição de representantes pelo voto. Depois de 15 anos tentando aprimorar o sistema, composto por um presidente e um primeiro-ministro, semelhante ao modelo da França, o presidente Vladimir Putin deixou claro ao Ocidente, que criticava os russos por resquícios de autoritarismo. Em 2005, sob pressão do governo americano, afirmou que na Rússia existe uma democracia, mas no estilo russo.

Putin chegou a lembrar jornalistas americanos que em seu país o presidente é eleito diretamente pelo povo, enquanto nos Estados Unidos o voto é, na prática indireto, o que permitiu Bush chegar ao poder. Mas a realização de eleições diretas para cargos de importância não garante uma democracia plena, na opinião dos críticos do regime islâmico do Irã. Os iranianos elegem seu presidente, o que pode ser considerado um privilégio no Oriente Médio. Mas a lista de candidatos é rigorosamente controlada, e o poder de fato está nas mãos do líder supremo, um modelo nascido na Revolução Iraniana de 1979.

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