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07/05/2010 - 09h39

Entenda: analistas da BBC explicam impasse eleitoral britânico

Nenhum partido conseguiu garantir maioria absoluta na Câmara dos Comuns e haverá agora um período de negociações frenéticas para decidir qual o formato do novo governo. A situação é descrita como um hung parliament, termo em inglês que define um parlamento sem maioria clara, em que nenhum partido tem o número necessário de cadeiras (326) para para aprovar leis sem o apoio de integrantes de outros partidos. Só ficará claro que partido terá condições de formar o novo governo nos próximos dias ou horas. Leia abaixo as opções dos políticos britânicos. Que partido pode tentar formar o governo? Apesar de os conservadores terem conquistado o maior número de assentos, o partido com maior número de cadeiras não tem automaticamente o direito de tentar formar um governo. Como primeiro-ministro no cargo, Gordon Brown tem esse direito. Na verdade, é seu dever permanecer no cargo até que fique claro que partido ou combinação de partidos pode obter mais apoio no novo parlamento. "Temos sempre que ter um governo, e até que um novo governo possa ser formado, o governo atual continua", explica o professor Robert Hazell, do think-tank britânico Institute for Government. Uma situação semelhante ocorreu em 1974, quando o conservador Edward Heath permaneceu no poder por quatro dias após as eleições enquanto tentava formar uma coalizão - apesar de os trabalhistas terem mais assentos na casa. Se Gordon Brown permanecer como premiê Dois cenários podem ser explorados à medida que o premiê tenta formar um novo governo. Primeiramente, ele pode considerar forjar uma aliança com outro partido ou partidos, para criar uma coalizão. Sem uma coalizão, os partidos podem tentar governar aprovando tema por tema no Legislativo. Como alternativa, os trabalhistas podem tentar alcançar acordos informais com outros partidos, tentando formar maiorias a favor de cada lei individual, à medida que elas forem apresentadas. Isso pode incluir obter um acordo com outro partido para que o governo não seja derrotado em uma moção de desconfiança. Se uma coalizão for o objetivo de Brown, e com os trabalhistas provavelmente precisando de um grande número de parlamentares que votem a seu lado, sua primeira opção tem que ser o partido Liberal Democrata. Entretanto, a considerar as projeções, os dois partidos combinados não terão assentos suficientes para formar uma maioria funcional no Parlamento. O editor de política da BBC Nick Robinson afirma que um bloco provável seria formado por trabalhistas, liberais-democratas e dois partidos da Irlanda do Norte - o SDLP e o Alliance. Se os quatro se alinhassem teriam cerca de 320 cadeiras - seis a menos de uma maioria absoluta - mas talvez o suficiente para governar com base em uma minoria. Entretanto, é pouco provável que Brown seja o único líder a negociar com os liberais-democratas, pois David Cameron também exploraria a opção de obter o apoio do partido para formar um governo liderado pelos conservadores. Nick Robinson afirma que uma combinação de conservadores com liberais-democratas seria o único acerto que garantiria mais de 326 assentos de forma clara. Ele afirma que os fatores desconhecidos seriam os partidos nacionalistas, o Partido Nacional Escocês (SNP, na sigla em inglês) e o Partido do País de Gales (Plaid Cymru). Tais partidos, entretanto, não são vistos como aliados naturais dos dois grandes partidos britânicos. Eles afirmam que usariam um parlamento sem maioria clara para obter "os melhores acordos possíveis" para Escócia e País de Gales. Como um acordo pode ser alcançado? O professor Hazell diz que os liberais-democratas serão os que estabelecerão, de fato, os termos das negociações nesses primeiros dias. "Eles decidirão com quem querem negociar primeiro", diz ele, afirmando que os liberais-democratas podem falar com ambos os partidos simultaneamente. Hazell afirma ainda que os chamados LibDems podem dar as cartas, em grande medida, sobre se apoiariam ou não um governo minoritário ou pediriam uma coalizão em troca de seu apoio. Durante a campanha eleitoral, o líder liberal-democrata Nick Clegg disse repetidamente que o partido com o "maior mandato" deveria ter o direito de governar. Falando na manhã desta sexta-feira, Clegg afirmou que mantinha essa posição, e que os conservadores, tendo conquistado o maior número de assentos e de votos, deveria ter o direito de tentar formar um governo "em nome dos interesses nacionais". Muitos analistas interpretaram seus comentários como sendo uma sugestão de que seu partido não serviria para "escorar" um governo liderado por Brown, apesar de seu predecessor, Lord Ashdown, ter sugerido que seu partido está "muito distante" dos conservadores. Clegg disse ainda que pressionaria por uma Grã-Bretanha "mais justa" em termos de impostos, sistema político, educação e reforma do sistema bancário. Tim Bale, especialista em política da Universidade de Sussex, acredita que é possível uma aliança entre partidos que se descrevem como "progressistas" - Trabalhistas e Liberai Democratas. Potencialmente, diz Bale, os partidos poderiam argumentar que, juntos, obtiveram cerca de 55% da votação. "Se os LibDems forem espertos, podem apresentar essa solução majoritária para a Grã-Bretanha, uma solução muito mais estável do que um governo conservador minoritário", acrescenta ele. E se Gordon Brown renunciar? Os conservadores não conseguiram maioria absoluta mas têm uma liderança clara em termos de números de cadeiras e quantidade de votos. Se David Cameron conseguir o apoio do partido Liberal Democrata, se espera que Gordon Brown admita a derrota e renuncie como premiê. A rainha então convidaria David Cameron - como atual líder da oposição - a tentar formar um governo. Como um acordo pode ser alcançado? Se os conservadores ficarem a poucos assentos de distância de uma maioria, a primeira opção poderiam ser os partidos unionistas da Irlanda do Norte. Os conservadores já formaram uma aliança eleitoral com o Partido Unionista do Ulster, apesar de ainda não ter ficado claro o quão longe os Partido Unionista Democrático (UDP, na sigla em inglês) iria para apoiar os conservadores. Nick Robinson afirma que se os conservadores forem se aliar aos Unionistas Democráticos e ao único parlamentar do partido Unionista Independente, isso os daria um bloco estimado em 315 assentos. Já Tim Bale, especialista em política da Universidade de Sussex, afirma que o núcleo do eleitorado do UDP é feito de trabalhadores, que seriam "duramente afetados" se os conservadores retirassem grande parte dos gastos públicos da província. Durante a campanha, os nacionalistas escoceses e galeses descartaram se unir a uma coalizão formal. Eles acreditam que votar sobre temas caso a caso seria sua melhor oportunidade de conseguir bons acordos para seus eleitores. Bale acredita que isso possa representar dificuldades para Cameron, porque esses partidos estão "algum lugar à esquerda" dos conservadores. Portanto, Cameron poderia se ver tendo que negociar com os liberais-democratas de Nick Clegg. O partido de Clegg deve estar em uma posição forte para dizer se quer apoiar um governo minoritario ou exigir uma coalizão em troca de seu apoio. Uma reforma eleitoral - uma demanda antiga dos Liberais Democratas - pode se provar um ponto difícil. Os conservadores se opõem à idéia, mas podem ter que fazer concessões para conseguir um acordo. O editor-adjunto de política da BBC James Landale afirma que os conservadores podem concordar, por exemplo, com a realização de um referendo sobre a retorma do sistema político, ainda que se reservando o direito de fazer campanha contra a reforma. Entretanto, Bale afirma que se os conservadores conseguirem formar um governo, "sua durabilidade e estabilidade terá que ser questionada". Até quando o governo deve ser formado? Não há um prazo final formal para a formação de um governo, mas 25 de maio é uma data-chave - dia em que a rainha deve determinar, em discurso, as prioridades do governo.

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