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11/05/2010 - 12h05

'Pecados internos' são maior ameaça à Igreja, diz papa

O papa Bento 16 disse nesta terça-feira que a maior ameaça à Igreja Católica vem dos pecados dentro da própria Igreja e que é chegada a hora de a instituição reconhecer isso.

"A maior perseguição à Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce dos pecados internos da Igreja", afirmou o pontífice, em um avião a caminho de Portugal.

"A Igreja precisa reaprender profundamente a penitência, aceitar a purificação, aprender o perdão, mas também a Justiça." As declarações marcam uma reviravolta na postura do Vaticano em relação às alegações de abusos sexuais cometidos por membros do clero.

Inicialmente, a Igreja acusou a imprensa e setores contrários aos católicos de mobilizar uma suposta campanha de difamação.

Medidas papais Nas últimas semanas, o papa se manifestou algumas vezes sobre o escândalo, prometendo levar à Justiça os sacerdotes e tomar medidas para proteger as crianças de pedófilos.

Bento 16 já aceitou a renúncia de alguns bispos envolvidos ou acusados de abusos sexuais ou de acobertamento.

Nos últimos meses, autoridades eclesiásticas na Europa e nas Américas vêm sendo acusadas de não ter lidado corretamente com as denúncias de pedofilia e abusos, muitas vezes apenas transferindo os acusados para outras paróquias.

O próprio papa foi alvo de acusações sobre a suposta cultura de manter segredos do Vaticano e por não ter tomado medidas firmes o suficiente contra os acusados quando ainda era cardeal.

Por outro lado, a Igreja diz que nunca houve um papa tão ativo no combate aos abusos sexuais de clérigos como o atual.

Portugal Não se sabe se Bento 16 vai voltar a tocar ao assunto durante a viagem a Portugal, onde mais de 90% da população do país são católicos.

Além da missa em Lisboa, estão sendo esperadas 300 mil pessoas para uma celebração em Fátima no dia dedicado à Nossa Senhora - 13 de Maio, quinta-feira.

Na sexta, a celebração será no centro do Porto, onde o número não deverá ser inferior a 150 mil pessoas.

A viagem papal tem como pano de fundo uma série de decisões tomadas nos últimos anos pelo governo português em contrariedade à doutrina católica.

Há dois anos, Portugal aprovou uma legislação para facilitar o divórcio.

Em 2007, um referendo descriminalizou o aborto até dez semanas de gravidez.

Neste momento, uma lei que permite o casamento homossexual necessita apenas a assinatura do Presidente da República para entrar em vigor.

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