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12/05/2010 - 07h05

Mercados reagem com cautela a novo governo britânico

Os mercados financeiros reagiram com cautela nesta quarta-feira à formação do novo governo britânico, liderado pelo primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, em coligação com o Partido Liberal Democrata.

Às 10h40 (6h40 de Brasília), a Bolsa de Valores de Londres operava em ligeira baixa, de 0,1%.

Os principais títulos da dívida pública britânica operavam em alta no mesmo horário, assim como o valor da libra esterlina, que vinha caindo fortemente nas últimas semanas diante da incerteza política e econômica. Cada libra era cotada a US$ 1,49, com uma alta de 0,21% em relação à terça-feira.

Uma das principais preocupações dos mercados em relação ao novo governo é sobre as medidas que serão tomadas para conter o crescente déficit público britânico, que já ultrapassa 11% do PIB.

Cameron prometeu "uma aceleração significativa" dos esforços para conter o déficit público, incluindo um corte de 6 bilhões de libras (cerca de R$ 15,8 bilhões) nos gastos públicos neste ano.

O novo ministro da Economia, George Osborne, deve apresentar um Orçamento de emergência nos próximos 50 dias.

Os principais grupos empresariais britânicos pediram ao novo governo que coloque no topo de sua agenda a tarefa de sanear as finanças do país.

O chefe da Confederação das Indústrias Britânicas, Richard Lambert, elogiou a formação do novo governo e disse que os empresários querem "um governo estável com a autoridade para tomar decisões fortes".

Coalizão David Cameron inicia nesta quarta-feira seu primeiro dia inteiro como primeiro-ministro, após tomar posse na tarde de terça-feira em seguida à renúncia de Gordon Brown, do Partido Trabalhista.

O Partido Conservador, de Cameron, elegeu o maior número de deputados nas eleições gerais da semana passada (306), mas não obteve a maioria absoluta (326) dos votos no Parlamento.

Com isso, os conservadores tiveram que negociar uma coalizão com o Partido Liberal Democrata, terceiro colocado na votação de quinta-feira passada, com 58 cadeiras.

Os liberal-democratas terão cinco postos no gabinete de Cameron. O líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, será o vice-primeiro-ministro.

Cameron prometeu deixar de lado as diferenças partidárias, e Clegg pediu aos eleitores liberal-democratas que "tenham fé" no governo.

Este é o primeiro governo de coalizão na Grã-Bretanha em sete décadas, e a primeira vez na história que os dois partidos se unem.

Acordo O novo premiê começou a anunciar também os nomes de seu gabinete. Além de Clegg e Osborne, entre os principais postos, o Ministério das Relações Exteriores terá à frente o ex-líder conservador William Hague e o Ministério da Defesa será comandado por Liam Fox.

Nesta quarta-feira também começaram a ser divulgados os primeiros detalhes do acordo entre conservadores e liberal-democratas.

Os liberal-democratas teriam cedido à posição dos conservadores de limitar a entrada de imigrantes de países de fora da União Europeia e também em relação à substituição dos mísseis nucleares do programa Trident.

Os conservadores, por sua vez, concordaram com a realização de um referendo sobre a reforma no sistema eleitoral, uma demanda dos liberal-democratas que poderia ajudar o partido a aumentar a sua participação no Parlamento.

O sistema atual de votação distrital favorece o bipartidarismo. O Partido Liberal Democrata teve 23% dos votos nas eleições da semana passada, mas elegeu menos de 9% dos deputados.

A nova coligação também concordou com um projeto para determinar um mandato fixo de cinco anos para o Parlamento, evitando assim a necessidade de novas eleições no curto prazo.

Atualmente, as eleições devem ser realizadas no mínimo de cinco em cinco anos, mas podem ser convocadas antecipadamente a qualquer momento por decisão do primeiro-ministro.

Os liberal-democratas concordaram ainda com um referendo sobre a transferência de novos poderes à União Europeia e com um compromisso de não apoiar a adoção do euro pelo menos nos próximos cinco anos.

Fim de um período A chegada de Cameron ao poder marca o fim da um período de 13 anos de governos liderados pelo Partido Trabalhista - com Tony Blair entre 1997 e 2007, e Gordon Brown entre 2007 e 2010.

Cameron, de 43 anos, é seis meses mais novo do que era Blair quando assumiu o cargo de primeiro-ministro. O líder conservador é também o mais jovem premiê desde 1812.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi o primeiro líder estrangeiro a congratular Cameron em uma breve ligação telefônica, na qual Obama convidou o novo premiê a visitar Washington no meio do ano.

A premiê alemã, Angela Merkel, também telefonou a Cameron para congratulá-lo e o convidar para visitar Berlim.

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