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15/05/2010 - 20h59

Tailândia: Premiê diz que avanço militar é 'única chance' de paz

Depois de novos confrontos entre soldados e manifestantes, o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, afirmou no sábado que a única forma de restaurar a estabilidade no país é o avanço das tropas do governo para acabar com o protesto contra o governo que desde março ocupam partes da capital tailandesa, Bangcoc.

De acordo com o primeiro-ministro, a intervenção militar é a única forma de encerrar os protestos e confrontos com as forças de segurança, que nos últimos três dias deixaram 22 mortos.

O Exército tailandês montou barricadas nas ruas e estradas que levam aos bairros ocupados, no norte e leste da cidade, para impedir que alimentos cheguem ao local.

O governo afirmou que a região ocupada é "zona de tiroteio livre", alertando para a população evitar o local. Placas de "Entrada proibida" foram espalhadas nas imediações.

Os manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas", pedem a renúncia do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva. As autoridades se recusam a negociar com os manifestantes.

'Ameaça à estabilidade' Em suas primeiras declarações na televisão desde o início da onda de violência, na quinta-feira, Abhisit afirmou que a sua intenção é restaurar a normalidade na capital com o mínimo de perdas.

Para ele, uma minoria de camisas-vermelhas que se opõem ao diálogo estariam ameaçando a estabilidade do país.

"Não vamos retroceder", afirmou.

Soldados do Exército da Tailândia entraram em confronto com manifestantes da oposição neste sábado nas ruas da capital, Bangcoc. Testemunhas afirmam que atiradores mataram várias pessoas durante a madrugada, elevando o número de mortos para 16 desde a quinta-feira.

Este é o terceiro dia consecutivo de violência na cidade. Explosões e disparos foram ouvidos enquanto a soldados tentavam retomar o controle da área norte e leste da capital, que foi ocupada por um acampamento dos manifestantes.

Tiro na cabeça Os protestos vêm ocorrendo desde março, mas a violência voltou a aumentar na quinta-feira desta semana, quando um general que participava do movimento de oposição foi ferido com um tiro na cabeça.

O general Khattiya Sawasdipol, também conhecido como Seh Daeng (ou Comandante Vermelho), está em estado grave. Médicos dizem não acreditar que ele sobreviverá.

Na sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo para que manifestantes e autoridades da Tailândia evitem novos episódios de violência.

A grande maioria dos manifestantes apoia o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em 2006. Eles exigem que o atual premiê, Abhisit Vejjajiva, dissolva o Parlamento e convoque novas eleições.

O primeiro-ministro chegou a oferecer novas eleições para novembro, mas os dois lados não conseguiram chegar a um acordo.

Esta é a pior crise política em quase duas décadas na Tailândia. Até o momento, ao menos 42 pessoas morreram e outras 1,4 mil ficaram feridas nos confrontos.

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