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16/05/2010 - 16h03

Tailândia rejeita mediação da ONU proposta por manifestantes

Autoridades tailandesas rejeitaram neste domingo uma possível mediação das Nações Unidas para acabar com os violentos protestos contra o governo na capital da Tailândia, Bangcoc, como tinha sido sugerido por manifestantes.

Um porta-voz do governo afastou a possibilidade, dizendo que organizações externas não devem interferir na questão.

"Nós rejeitamos os pedidos deles de mediação da ONU (Organização das Nações Unidas). Nenhum governo tailandês jamais deixou alguém intervir nas nossas questões internas", disse o porta-voz Panitan Wattanayagorn.

Pelo menos 29 pessoas morreram desde quinta-feira, quando forças de segurança receberam ordens para começar a expulsar os manifestantes acampados em Bangcoc há meses.

Neste domingo, autoridades da Tailândia deram um ultimato aos manifestantes, exigindo que as mulheres e idosos deixem o acampamento até a tarde de segunda-feira.

O governo pediu que a Cruz Vermelha ajude a convencer as pessoas a deixarem o acampamento.

Manifestantes de oposição - conhecidos como "camisas vermelhas" - exigem a renúncia do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva.

'Perto de guerra civil' Um dos líderes da campanha disse que a Tailândia está perto de uma "guerra civil".

Embora o governo esteja fechando o cerco ao acampamento, muitos dos manifestantes voltam a se concentrar em outras partes da capital.

Alguns soldados do Exército tailandês se posicionaram atrás do acampamento e abriram fogo contra pessoas que tentam se juntar aos protestos.

O primeiro-ministro declarou estado de emergência em mais de 20 províncias tailandesas e estendeu as férias escolares por mais uma semana, mas suspendeu planos de impor um toque de recolher.

No sábado, após novos confrontos entre soldados e manifestantes, o primeiro-ministro afirmou que a única forma de restaurar a estabilidade no país seria o avanço das tropas do governo para acabar com o protesto.

De acordo com Abhisit, a intervenção militar é a única forma de encerrar os protestos e confrontos com as forças de segurança.

Em suas primeiras declarações na televisão desde o início da onda de violência, na quinta-feira, ele afirmou que a sua intenção é restaurar a normalidade na capital com o mínimo de perdas.

Para ele, uma minoria de camisas-vermelhas que se opõem ao diálogo estaria ameaçando a estabilidade do país.

"Não vamos retroceder", afirmou.

'Tiroteio livre' O Exército tailandês montou barricadas nas ruas e estradas que levam aos bairros ocupados, no norte e leste da cidade, para impedir que alimentos cheguem ao local.

No sábado, o governo afirmou que a região ocupada é "zona de tiroteio livre", alertando para a população evitar o local. Placas de "Entrada proibida" foram espalhadas nas imediações.

Os protestos vêm ocorrendo desde março, mas a violência voltou a aumentar na quinta-feira desta semana, quando um general que participava do movimento de oposição foi ferido com um tiro na cabeça.

O general Khattiya Sawasdipol, também conhecido como Seh Daeng (ou Comandante Vermelho), está em estado grave. Médicos dizem não acreditar que ele sobreviverá.

Na sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo para que manifestantes e autoridades da Tailândia evitem novos episódios de violência.

A grande maioria dos manifestantes apoia o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em 2006. Eles exigem que o atual premiê, Abhisit Vejjajiva, dissolva o Parlamento e convoque novas eleições.

O primeiro-ministro chegou a oferecer novas eleições para novembro, mas os dois lados não conseguiram chegar a um acordo.

Esta é a pior crise política em quase duas décadas na Tailândia. Até o momento, ao menos 45 pessoas morreram e outras 1,4 mil ficaram feridas nos confrontos.

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