UOL Notícias Notícias
 

17/05/2010 - 18h24

Acordo pode dificultar sanções contra Irã, diz imprensa internacional

O acordo sobre o programa nuclear iraniano anunciado nesta segunda-feira e fechado sob a mediação de Brasil e Turquia pode complicar o trabalho do governo americano para assegurar a aprovação internacional de sanções contra o governo de Teerã, na avaliação de alguns dos principais veículos de comunicação internacionais.

Para a revista britânica The Economist, que publicou uma análise sobre o acordo em seu wesbsite, a aprovação do entendimento pode fortalecer a oposição contra as sanções entre os membros rotativos do Conselho de Segurança da ONU, o que pode tornar qualquer aplicação de sanções por parte dos membros permanentes do órgão mais fraca politicamente.

"A não ser que os detalhes do acordo tragam uma boa surpresa, parece que o Irã obteve sucesso ao repetir seu velho truque de aprofundar as divisões entre os países que se preparam para reforçar as sanções".

"Israel já afirmou que o Brasil, inexperiente na diplomacia do Oriente Médio, pode ter sido manipulado, e mais ceticismo deve surgir nos próximos dias", diz a revista britânica.

"Lula e (o premiê turco Recep) Erdogan podem não ter muito tempo para saborear sua conquista".

The New York Times Já para o jornal americano The New York Times, ainda não se sabe se o acordo "oferece ao Irã uma solução de curto prazo para seu longo enfrentamento com o Ocidente por causa de seu programa nuclear" ou se ele "se mostrará uma tática com o objetivo de desviar os esforços de estabelecer novas sanções contra Teerã".

O jornal observa que o acordo segue as mesmas linhas de outro proposto pelos países ocidentais em outubro e que não avançou porque o Irã acabou voltando atrás em sua posição.

A reportagem afirma que ainda não se sabe se o governo do presidente Barack Obama aceitará o acordo agora, "em parte porque o Irã continuou a enriquecer urânio, aumentando seus estoques".

Segundo o jornal, o montante de urânio que deveria ser enviado ao exterior pelo acordo de outubro garantiria que o Irã não mantivesse um estoque suficiente para desenvolver armas nucleares, mas, agora, o mesmo montante representaria apenas a metade de seus estoques.

Para o New York Times, Obama se vê diante de um dilema. "Se ele rejeitar o acordo, vai parecer que está rejeitando um acordo semelhante ao que estava disposto a assinar há oito meses. Mas se ele o aceitar, muitas das questões urgentes que ele diz que terão que ser resolvidas com o Irã nos próximos meses - em sua maioria sobre as suspeitas sobre armamentos - serão deixadas de lado por um ano ou mais", diz o jornal.

Washington Post Outro diário americano, The Washington Post, diz que a assinatura do acordo foi "uma surpresa" e que esse foi o primeiro acordo do tipo assinado pelo Irã com um país estrangeiro desde 2004.

"O pacto inesperado tem como objetivo tirar as preocupações sobre o programa nuclear iraniano e poderia prover uma alternativa às duras sanções contra o Irã propostas pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais", afirma o jornal.

Para o jornal, o acordo aumenta as divisões entre o grupo de países liderados pelos Estados Unidos, de um lado, e dos países em desenvolvimento, do outro, sobre o direito de o Irã e de outras nações em desenvolvimento ao uso de energia nuclear.

A reportagem observa que países como Brasil, Turquia, Egito e Indonésia veem cada vez mais o debate sobre o programa nuclear iraniano como um teste para suas próprias ambições nucleares.

"Enquanto os Estados Unidos e seus aliados dizem temer a proliferação de armas nucleares, as nações em desenvolvimento dizem que as potências mundiais estão determinadas a controlar a tecnologia nuclear e que querem evitar o desenvolvimento de programas independentes de energia nuclear", diz o jornal.

Europa O britânico Financial Times diz que as grandes potências deverão se manter céticas sobre o acordo, que veem como uma forma de o Irã ganhar tempo e evitar novas sanções, mas relata que alguns diplomatas ocidentais consideram que o governo iraniano fez algumas concessões e "acreditam que Ahmadinejad gostaria de ter assinado um acordo nestes termos desde setembro do ano passado, mas foi impedido por brigas políticas internas".

Uma reportagem do também britânico Times mostra ceticismo, afirmando que "é provável que o Irã usará o acordo para evitar novas sanções e como cobertura, enquanto continua trabalhando para conseguir armas nucleares".

Mas, ainda na Grã-Bretanha, um artigo assinado do The Guardian elogiou o acordo, classificando-o de positivo para todos, "exceto para aqueles em Washington e Tel Aviv que procuram desculpas para isolar ou atacar o Irã".

O texto afirma que o evento foi a "estreia de uma nova força no cenário mundial, o eixo Brasil e Turquia".

Os dois países estariam "emergindo como a força global pelo compromisso e o diálogo que o movimento não alinhado nunca conseguiu ser".

O jornal espanhol ABC diz que o acordo "não vai cancelar os esforços de Estados Unidos e França para convencer a ONU a aprovar uma quarta rodada de sanções econômicas e diplomáticas contra o Irã, mas tudo indica que vai atrasá-las".

Também na Espanha, o El País diz que a consequência mais imediata do acordo "não será traduzida em termos nucleares, mas políticos, com um notável respaldo para a Turquia e em especial, para Luiz Inácio Lula da Silva".

O jornal diz que o Irã também sai fortalecido politicamente, já que o poder de nações não alinhadas parece ter sido prestigiado com o acordo.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host