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17/05/2010 - 11h47

Para Brasil, acordo com Irã é 'vitória da diplomacia' e deve evitar sanções

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "uma vitória da diplomacia" o acordo mediado por Brasil e Turquia em que o Irã se comprometeu a enviar urânio para fora de seu território para obter em troca urânio com maior grau de enriquecimento, em uma aparente concessão aos apelos da comunidade internacional em relação a seu programa nuclear.

Durante seu programa semanal Café com o Presidente, transmitido pela Rádio Nacional na manhã desta segunda-feira, Lula, que visitou Teerã, se disse "feliz" com o acordo e afirmou que ele mostra que o diálogo "é possível".

"Ontem (domingo) fiquei muito feliz porque foi uma vitória da diplomacia. Quando os diplomatas se reúnem em torno de uma causa séria e têm o apoio dos seus presidentes, a coisa acontece", disse.

O presidente ainda afirmou que o Brasil "teve um papel importante" para que o acordo fosse alcançado, principalmente devido à "afinidade existente entre o ministro (das Relações Exteriores) Celso Amorim, o ministro da Turquia e o próprio ministro das Relações Exteriores do Irã".

Sanções Em uma participação no mesmo programa, o ministro Celso Amorim ainda afirmou esperar que a assinatura do acordo possa evitar uma nova rodada de sanções das Nações Unidas contra o Irã, algo que o governo dos Estados Unidos e outros membros do Conselho de Segurança da ONU vinham defendendo.

"Olha, na nossa opinião, deve ser suficiente (para evitar as sanções), porque nós ouvimos todos, nós conversamos muito com os franceses, nós conversamos muito com os americanos, conversamos muito com os russos, com os chineses", disse Amorim.

O chanceler brasileiro, no entanto, reconheceu que o Brasil e a Turquia não estavam negociando em nome dos membros do Conselho de Segurança, embora não veja "razão para que haja continuidade nesse movimento em favor de sanções".

Ainda segundo Amorim, as negociações para o acordo tomaram muitos meses, tendo início em novembro do ano passado, quando o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, visitou o Brasil.

Desconfiança Pelos termos do acordo, o Irã deve enviar 1,2 tonelada de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de combustível para um reator nuclear a ser usado em pesquisas médicas em Teerã.

O entendimento anunciado nesta segunda-feira e assinado em frente a jornalistas em Teerã tem como base a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU), do final do ano passado, que previa o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.

Embora esteja sendo comemorado pelas autoridades brasileiras, o acordo está sendo visto com ceticismo por membro da comunidade internacional.

Poucos minutos após o anúncio, Israel criticou o Irã, afirmando que Teerã está "manipulando" o Brasil e a Turquia.

Já o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, elogiou a "tenacidade" dos governos de Brasil e Turquia para tentar chegar a um acordo, mas afirmou que é preciso que mais detalhes sejam revelados para que o Conselho de Segurança da ONU e a AIEA possam avaliá-lo.

"Vamos esperar pelas propostas concretas. Estamos esperando pelo texto (do acordo) e responderemos assim que possível".

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, por sua vez, afirmou que a posição do bloco em relação ao Irã não muda com o acordo.

"A posição da União Europeia é conhecida há meses e não mudou. Estamos preocupados com o programa nuclear do Irã. O Irã precisa dar garantias à comunidade internacional sobre as intenções de seu programa nuclear", disse.

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