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18/05/2010 - 19h57

Para Amorim, acordo pode reduzir interesse do Irã em enriquecer urânio

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que o acordo proposto por Irã, Brasil e Turquia, se aceito, poderá reduzir o interesse do Irã em enriquecer urânio a 20%, estágio próximo à produção de armas nucleares. Nesta segunda-feira, os três países anunciaram uma proposta de acordo que prevê o envio de 1.200 quilos de urânio iraniano enriquecido a 3,5% à Turquia. Em troca, o Irã receberia o urânio já enriquecido a 20%, para fins medicinais. Segundo Amorim, com o acordo, "o Irã não terá por que investir em um processo custoso e difícil de enriquecimento a 20%". "A melhor maneira de garantir que o Irã não continuará a fazer esse enriquecimento (a 20%) é concluindo esse acordo", disse o ministro. "O acordo era para isso", acrescentou. O chanceler disse, porém, que a questão do enriquecimento do urânio a 20% não foi abordada durante as 18 horas de negociação, no domingo, às vésperas do entendimento assinado pelos três países. "Não poderíamos e nem pretendíamos resolver todos os problemas de uma única vez", disse Amorim. SançõesO governo americano anunciou nesta terça-feira que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas chegaram a um acordo sobre uma proposta de resolução prevendo novas sanções contra o Irã. Na avaliação de Amorim, o anúncio - apenas um dia após a declaração conjunta entre Irã, Brasil e Turquia - mostra que as grandes potências "já haviam tomado a decisão". Dias antes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, representantes das grandes potências, como Estados Unidos e Rússia, chegaram a comentar que essa visita seria "a última chance" de uma solução que evitaria as sanções econômicas. "Na realidade essa espera (pela visita do presidente Lula a Teerã) mostrou-se apenas protocolar. Foi como se não tivessem esperado", disse o ministro. "Esperaríamos que houvesse pelo menos um tempo para análise da proposta", acrescntou. Solução pacífica De acordo com o ministro, Brasil e Turquia estão preparando uma carta conjunta que será enviada aos membros do Conselho de Segurança com as "visões" desses dois países a favor do acordo. "Não fomos nós que inventamos o acordo. O que nós fizemos foi apenas operacionalizar um acordo que eles mesmos propuseram, no ano passado", disse Amorim O ministro referia-se ao fato de a proposta apresentada nesta segunda-feira ter como base uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que teve apoio dos principais negociadores - os chamados P5+1 (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China, França e Alemanha). "Nós pusemos a bola na área. Agora quem tem que fazer o gol são o 5+1", disse o ministro. "Ignorar esse acordo seria desprezar uma solução pacífica", acrescentou. Questionado sobre o risco de as sanções, nesse momento das conversas, virem a "melindrar" o governo iraniano, Amorim respondeu que sim. "Vejo, sim (risco). Mas tenho confiança de que (o acordo) dará certo", acrescentou.

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