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19/05/2010 - 17h57

Entenda os protestos e a crise política na Tailândia

A vida política na Tailândia está em crise desde que o premiê Thaksin Shinawatra foi derrubado por um golpe militar, em setembro de 2006.

Quando o líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, foi eleito primeiro-ministro, em dezembro de 2008, a expectativa era de que ele pusesse um fim à crise.

Mas a situação só se agravou e, em março de 2010, manifestantes camisas vermelhas, simpatizantes de Thaksin, passaram a acampar nas ruas da capital tailandesa, Bangcoc, e exigir a renúncia do governo atual.

Depois de dois meses, o movimento parou a cidade e levou o governo a lançar uma ofensiva para retirar os manifestantes das ruas. Nas últimas semanas, o número de mortos nos confrontos passou de 30.

Confira abaixo algumas perguntas e respostas sobre a crise na Tailândia.

Quem são os manifestantes pró-Thaksin?

Thaksin continua a ser apoiado por tailandeses mais pobres das zonas rurais, que se beneficiaram com políticas implementadas durante os cinco anos de seu governo, além de intelectuais urbanos que defendem menor interferência militar e mais democracia.

O principal movimento pró-Thaksin é a Frente Unida por Democracia contra Ditadura (UDD). Seus manifestantes costumam usar camisetas vermelhas.

A UDD afirma que o premiê Abhisit Vejjajiva chegou ao poder de forma ilegal, e o acusa de ser comandado pelos militares tailandeses. A frente pede a renúncia de Abhisit e a convocação de novas eleições.

Quais são as táticas dos camisas vermelhas?

Em abril de 2009, eles forçaram o cancelamento de uma reunião da Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean), invadindo um centro de conferências no balneário de Pattaya, no litoral tailandês.

No dia seguinte, invadiram o prédio do Ministério do Interior e bloquearam estradas em Bangcoc. Abhisit declarou estado de emergência.

As táticas do grupo pró-Thaksin são semelhantes às usadas por manifestantes anti-Thaksin em 2008, que acabaram precipitando a saída do primeiro-ministro na época.

Cerca de um ano depois das manifestações de 2009, os camisas vermelhas voltaram à ação com força máxima em um comício com milhares de pessoas em Bangcoc. A partir daí, os manifestantes prometeram só deixar a capital quando conseguissem a renúncia do governo.

Primeiro, acamparam em frente ao Palácio Presidencial. De lá, foram para uma região comercial da cidade. Durante o primeiro mês, invadiram o Parlamento, a Comissão Eleitoral e uma das principais retransmissoras de TV por satélite.

No dia 10 de abril de 2010, uma tentativa do governo de remover os manifestantes de um dos acampamentos acabou em violência. Pelo menos 25 pessoas morreram, entre elas, pelo menos cinco soldados.

Abhisit propôs a realização de eleições em 14 de novembro, reacendendo esperanças sobre um possível acordo. No entanto, a discussão sobre se o primeiro-ministro deveria ser considerado responsável ou não pelas mortes de 10 de abril acabaram enfraquecendo essa possibilidade.

No dia 13 de maio, o Exército tailandês afirmou que iria isolar o acampamento dos camisas vermelhas. Novos confrontos aconteceram depois que um general que se rebelara contra a corporação foi baleado e morto.

Nos dias que se seguiram, vários confrontos isolados voltaram a acontecer. Mais de 30 pessoas morreram.
No dia 19 de maio, o governo retirou os manifestantes do centro da cidade em uma ofensiva militar que deixou mortos e feridos.

Após a prisão de alguns líderes, o governo decretou toque de recolher em Bangcoc e outras partes do país.

Quem são os grupos anti-Thaksin?

Os opositores a Thaksin formam a Aliança do Povo pela Democracia (APD) e usam camisetas amarelas, em homenagem à monarquia tailandesa.

Uma das acusações dos manifestantes é a de que Thaksin não é leal ao rei tailandês.

A APD é formada por partidários da monarquia, empresários e pessoas da classe média urbana.

O movimento é liderado pelo empresário do setor de comunicação Sondhi Limthongkul e pelo ex-general Chamlong Srimuang, que é aliado próximo do general Prem Tinsulanonda, assessor especial do rei tailandês.

A APD acusa Thaksin de ter incorrido em corrupção e nepotismo durante seu governo. As manifestações do movimento foram centrais à época do golpe militar que retirou Thaksin do poder em 2006.

Em 2008, os manifestantes da APD protestaram contra o Partido do Poder do Povo (PPP), visto como uma continuação do partido de Thaksin, que havia sido banido.

Durante os protestos, o palácio do governo foi tomado por três meses. O principal aeroporto de Bangcoc ficou paralisado por uma semana, afetando fortemente a indústria do turismo.

Os grupos anti-Thaksin lideraram movimentos considerados centrais na derrubada de dois primeiros-ministros: Samak Sundaravej e Somchai Wongsawat, que é cunhado de Thaksin.

Como Abhisit chegou ao poder?

Em meio aos protestos de dezembro de 2008, a Corte Constitucional da Tailândia condenou o partido PPP, dos aliados de Thaksin, por fraude eleitoral. Os líderes do partido foram banidos da vida política do país por cinco anos.

A condenação levou a um novo impasse entre as forças políticas tailandesas. No entanto, um pequeno grupo de parlamentares pró-Thaksin mudou de lado e passou a apoiar o Partido Democrata.

Isso fez com que o líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, formasse um novo governo e se tornasse primeiro-ministro, sem a convocação de eleições gerais.

O Partido Democrata não é aliado oficialmente a qualquer dos grupos de manifestantes, mas, no passado, alguns integrantes do movimento anti-Thaksin fizeram parte do partido.

Onde está Thaksin agora?

Thaksin se diz "um cidadão do mundo" e viaja bastante para Dubai, China, Grã-Bretanha e Hong Kong.

Se voltar à Tailândia, ele será preso. Ele foi condenado a dois anos de prisão por corrupção.

Seu projeto de longo prazo não está claro. Ele já disse que não pretende voltar à política, mas também afirmou que a Tailândia precisa dele para sair da crise econômica.

Thaksin tem participado da vida política tailandesa por meio de videoconferências com seus simpatizantes.

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