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20/05/2010 - 19h25

Para Lula, países que defendem sanções contra Irã buscam 'inimigo'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que defendem uma nova rodada de sanções contra o Irã, afirmando que há "gente que não sabe fazer política se não tiver um inimigo".

Em um discurso em Brasília, durante um encontro com prefeitos, Lula defendeu o acordo mediado por Brasil e Turquia, no qual o Irã se compromete a trocar urânio com baixo grau de enriquecimento pelo elemento com níveis de enriquecimento que permitam seu uso civil, anunciado durante sua visita oficial a Teerã na última segunda-feira.

Para Lula, com o acordo, o Brasil conseguiu "que o Irã fizesse aquilo que o Conselho de Segurança (da ONU) queria que fosse feito há seis meses".

"Demos uma contribuição ao multilateralismo que devia ser levada em conta", disse.

'Inimigo' Após o anuncio do acordo, no entanto, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China) anunciaram um plano para a imposição de mais uma série de sanções contra o Irã, por acreditarem que programa nuclear do país tenha o objetivo de desenvolver armamentos, o que Teerã nega.

Durante seu discurso nesta quinta-feira, Lula criticou os países que defendem as novas sanções apesar do acordo mediado pelo Brasil.

"É muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a proposta." O presidente ressaltou que só sabe "fazer política construindo amigos", em uma referência à sua própria opinião de que há quem busque rivais para fazer política.

"A verdade nua e crua é a seguinte: o Irã, que era vendido para todos como se fosse o demônio, resolveu sentar na mesa de negociação. Eu quero ver se os outros vão cumprir com aquilo que queriam que o Irã fizesse", afirmou.

Complexo de inferioridade O presidente também afirmou ter ficado "triste" com as críticas que recebeu por parte de analistas e da imprensa brasileira por ter mediado o acordo, acusando os críticos de "complexo de inferioridade".

"Eu fico triste porque no Brasil nós temos um complexo de inferioridade na cabeça de muita gente. Uma parte de nossa elite política, que escreve colunas (em jornais), que fica dizendo: 'Mas o que o Brasil tinha que se meter? Aquilo não é coisa do Brasil'".

"O Brasil não tem que pedir licença a ninguém para conversar com quem quer que seja", disse o presidente, que afirmou considerar o acordo com o Irã como um "avanço extraordinário".

Também nesta quinta-feira, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Reza Bahonar, afirmou que caso novas sanções sejam aprovadas contra o Irã, o país abandonará o acordo de troca de urânio mediado por Brasil e Turquia.

"Se uma nova resolução for aprovada, o Irã não está mais comprometido com a declaração recente e o envio de combustível nuclear para fora do país será cancelado", disse Bahonar, de acordo com o a agência de notícias iraniana Mehr.

Enquanto isso, os Estados Unidos e outros membros permanentes do Conselho de Segurança trabalham pela aprovação de uma quarta rodada de sanções contra o governo iraniano.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, dos quinze países que fazem parte do Conselho de Segurança, apenas três devem votar contra as sanções, em uma possível referência a Brasil, Turquia e Líbano.

"Três países têm algumas dúvidas, mas vamos ver", disse Kouchner segundo o jornal Le Figaro. São necessários nove votos no Conselho de Segurança para aprovar a resolução.

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