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24/05/2010 - 13h18

Governo britânico anuncia corte de R$ 16,6 bilhões em gastos públicos

O Ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, anunciou nesta segunda-feira planos para cortes de 6,2 bilhões de libras (cerca de R$ 16,6 bilhões) em gastos públicos, dizendo que é necessário "uma ação urgente" para conter o déficit público do país.

Entre as medidas anunciadas, há um congelamento na contratação de novos servidores públicos e cortes de benefícios sociais.

Segundo Osborne, 500 milhões de libras (cerca de R$ 1,3 bilhão) desses cortes serão reinvestidos em programas de educação para adultos e para habitações populares.

O anúncio desta segunda-feira é a primeira ação tomada pelo novo governo britânico, que tomou posse há duas semanas, para eliminar em cinco anos a maior parte do déficit público britânico - estimado em 156 bilhões de libras (cerca de R$ 417 bilhões), no nível mais alto da história.

Os cortes foram anunciados nesta segunda-feira antes mesmo da apresentação do novo orçamento de emergência, previsto para ser divulgado no dia 22 de junho, e de uma comissão para revisar os gastos públicos, a ser instalada nos próximos meses.

Osborne não fez comentários sobre o possível tamanho do enxugamento no número de funcionários públicos, mas disse que o grosso desse corte deverá vir de cargos não preenchidos após a saída de pessoal.

'Onda de choque' O secretário do Tesouro, David Laws, afirmou que os cortes anunciados por Osborne têm o objetivo de enviar uma "onda de choque" por todos os departamentos do governo e desestimular o desperdício, mas disse que o governo fará "o possível" para proteger os serviços essenciais e os cidadãos com renda mais baixa.

"Os anos de abundância no setor público acabaram, mas quanto mais assertivamente agirmos, mais rapidamente e mais fortes atravessaremos este período duro", afirmou Laws.

Osborne, por sua vez, afirmou que, se o governo não agir rapidamente para conter o déficit público, isso poderia prejudicar a recuperação econômica após a crise mundial.

"Precisamos tomar uma atitude urgente para manter nossas taxas de juros baixas por mais tempo, para reforçar a confiança na economia e para proteger os empregos, mostrando ao mundo que podemos viver com nossos próprios meios", afirmou o ministro.

"Precisamos cortar o déficit para que nossos pagamentos da dívida não saiam do controle. E quanto mais fizermos agora, mais poderemos gastar com coisas que realmente são importantes nos próximos anos", disse.

Posições diferentes Durante a campanha eleitoral, em maio, os partidos Conservador e Liberal Democrata, agora reunidos na coalizão governista, manifestaram posições diferentes sobre as necessidades de cortes, mas ambos dizem que as diferenças foram deixadas de lado.

A coalizão aprovou a instalação de uma auditoria sobre todos os compromissos de gastos assumidos desde o começo do ano, afirmando que o governo anterior aumentou os gastos acima de suas possibilidades e fez promessas que não podem ser cumpridas.

O ex-ministro das Finanças Alistair Darling, que deixou o cargo há duas semanas, afirmou que muitas das medidas já estavam em andamento no governo anterior e disse ver uma falta de detalhamento nas propostas anunciadas nesta segunda-feira pelo sucessor.

"Pode haver milhares de empregos afetados por isso, pode haver medidas que prejudiquem o crescimento. Eu ficaria muito, muito preocupado com isso", disse ele à BBC.

O ex-ministro da Educação Ed Balls, um dos candidatos a substituir Gordon Brown na liderança do Partido Trabalhista, classificou o anúncio como "o primeiro grande erro feito por esse governo com a economia" e disse que é "uma completa fantasia" dizer que as medidas não devem gerar corte de empregos.

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