UOL Notícias Notícias
 

28/05/2010 - 05h40

Candidato do Partido Verde aposta em continuísmo na área de segurança

O candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, é visto como a grande surpresa da eleição presidencial colombiana convocada para este domingo, após oito anos de gestão do presidente Álvaro Uribe.

Em menos de dois meses de campanha, Mockus deixou de ser um dos lanternas da disputa, com apenas 6% da intenção de voto, para alcançar um empate técnico com o candidato governista Juan Manuel Santos.

Até então, Santos - que durante o período caiu do topo de 44% para estacionar em 35% na preferência dos eleitores - era visto como o virtual sucessor e herdeiro do uribismo.

O candidato do Partido Verde assumiu como principal peça de propaganda a continuidade da política de segurança de Álvaro Uribe, carro-chefe da atual administração, porém, "dentro da legalidade" e no reimpulso da educação do país.

Farc "Ganhar a guerra com as FARC é caro. É três ou quatro vezes mais caro que ganhá-la com os paramilitares, mas há que ganhá-la de maneira limpa", afirmou Mockus no penúltimo debate entre os candidatos presidenciais.

O comentário faz alusão aos escândalos de execuções extrajudiciais de jovens e camponeses inocentes durante a administração Uribe, cujas mortes foram utilizados pelo Exército colombiano para inflar o número de mortos guerrilheiros em combate.

"É uma expressão extrema do vale tudo", afirmou Mockus em coletiva de imprensa há poucos dias, ao mesmo tempo que eximiu o Executivo de responsabilidade penal sobre o caso que ficou conhecido como falsos-positivos. "O Executivo não tem responsabilidade penal, mas sim moral", disse.

Mockus diz que manterá linha dura contra a guerrilha e que não negociará com os rebeldes enquanto o grupo mantiver reféns em seu poder.

Legalidade A defesa da "legalidade" é o principal traço que difere Santos de Mockus, na opinião do analista político Alejo Vargas.

"Aqui não há polarização entre direita e esquerda. Tanto Mockus como Santos têm políticas de continuidade (do governo Uribe), de direita", afirmou Vargas.

Para Vargas, um dos elementos que favoreceu a candidatura de Mockus foi não ter adotado uma postura contrária à Uribe, considerado um dos presidentes mais populares da história recente do país. Outro fator, é a defesa de uma gestão "honesta".

"Mockus conseguiu gerar entusiasmo principalmente entre os jovens porque por um lado não se posiciona como anti-Uribe, mas ao mesmo é visto como uma espécie de vínculo da luta contra a corrupção", acrescentou.

A chamada "onda verde" que teria impulsado a candidatura de Mockus é atribuída ao fenômeno das novas redes sociais na internet, iniciativas que foram encabeçadas principalmente por jovens eleitores. Atualmente, Mockus tem mais de 44 mil seguidores no Twitter e mais de 681 mil fãs no Facebook.

"Como Lula" Em relação à política internacional, Mockus tem dito que reestabelecerá o diálogo com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que decidiu "congelar" relações com Bogotá depois da assinatura do acordo militar com os Estados Unidos que permite as tropas norte-americanas o uso de bases militares colombianas.

O candidato do partido Verde disse que seguirá o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lidar com governos antagônicos como os de Caracas e Washington.

"O presidente Lula conseguiu exatamente isso: Ser bom amigo de Chávez, bom amigo de (Rafael) Correa e ser bom amigo dos presidentes americanos, incluindo presidente (George W.) Bush e (Barack) Obama", afirmou Mockus à BBC.

No setor econômico, Mockus propõe subir os impostos aos mais ricos e cortar os privilégios tributários oferecidos por Uribe à iniciativa privada. Santos, por sua vez, vai na contramão e promete continuar apoiando os industriais com a redução de impostos mediante abertura de novas vagas.

Polêmicas Essa é a terceira vez que Mockus se candidata à Presidência. O candidato do partido Verde foi prefeito de Bogotá duas vezes. Matemático e filósofo, Mockus é conhecido por ser uma figura polêmica e por adotar medidas pouco ortodoxas para implementar suas políticas. Durante sua gestão como prefeito de Bogotá, implementou o uso de cartões vermelhos e amarelos para sinalizar uma infração e palhaços no lugar de policiais para reorganizar o funcionamento da cidade e exigir o respeito às leis.

Antes de assumir a prefeitura, quando reitor da Universidade Nacional, baixou as calças e mostrou o traseiro durante um protesto estudantil para pedir o direito à palavra. A medida o levou à pedir renuncia do cargo Suas propostas, no entanto, não convencem ao vendedor ambulante Jacinto Gutierrez. "Aqui precisamos de mão dura para manter a ordem, não dessa conversa de professor que com a educação se resolve tudo", afirmou Gutierrez à BBC Brasil.

Em um país marcado por um conflito armado que já dura mais de 60 anos, Mockus voltou a repetir que, caso seja eleito, "a história da Colômbia será escrita com lápis, não com sangue", afirmou, no ato de encerramento de campanha, no domingo passado, em Bogotá.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host