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30/05/2010 - 19h07

Violência 'impediu muitos votos'' na Colômbia, dizem observadores

As eleições presidenciais da Colômbia neste domingo foram marcadas por confrontos armados na zona rural colombiana entre militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e soldados do governo que deixaram pelo menos três mortos e "impediram que muitos votassem", segundo observadores do pleito.

Mesmo com a segurança reforçada em todo o país por 340 mil homens, foram registradas 17 ações armadas, de acordo com o Movimento de Observação Eleitoral (MOE) colombiano.

"Esses ataques impediram que muitos eleitores chegassem aos centros de votação", afirmou à BBC Brasil Ariel Ávila, da direção do MOE.

Os confrontos aconteceram nos departamentos (Estados) de Cauca, Antioquia e Caquetá. Um guerrilheiro das Farc teria morrido no sudoeste do país. Nos departamentos de Meta e Bolívar, dois soldados do Exército também teriam caído em enfrentamentos.

Nas cidades, o pleito transcorreu normalmente.

O ministro do Interior, Fabio Valencia Cossio, disse ainda que a Polícia Nacional desativou três artefatos explosivos antes da abertura das urnas para o pleito que escolherá o sucessor do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

'Tinta suave'

O MOE também apontou como preocupante o fato de que a tinta da caneta disponível para o eleitor marcar sua preferência era muito "suave", o que poderia permitir irregularidades na contagem dos votos.

Foram registradas ao menos 120 denúncias de compra e venda de votos.

"Apesar disso, a fraude eleitoral se reduziu em relação as eleições legislativas de março", afirmou Ávila.

As eleições do domingo vêm sendo consideradas entre as mais disputadas da história recente do país. transcorrem normalmente nas principais cidades do país.

A expectativa é que os resultados sejam apertados, o que levaria a decisão a um segundo turno. As urnas foram abertas às 8h (10h de Brasília) e fecharam às 16h (18h, em Brasília).

Os dois candidatos favoritos a disputar uma nova rodada eleitoral votaram na manhã deste domingo em Bogotá.

O candidato do partido Verde, Antanas Mockus, admitiu desejar que a disputa fosse decidida ainda no primeiro turno e disse que os colombianos "lembrarão que pela primeira vez não votou contra e sim a favor" de um projeto.

Admiração por Lula

O verde votou acompanhado dos filhos e da esposa e comentou a sua admiração pela política social de Luiz Inácio Lula da Silva.

Seu principal adversário, o candidato governista Juan Manuel Santos, defendeu o voto como saída para "derrotar o terrorismo" e prometeu acatar qualquer resultado proveniente das urnas.

Santos disse que pretende ser recordado como o presidente "que deu trabalho aos colombianos".

Uribe

Álvaro Uribe foi um dos primeiros a votar, logo pela manhã, numa seção eleitoral na praça Bolívar, no centro histórico de Bogotá, próximo ao palácio presidencial.

"Compatriotas, o voto livre e em consciência é o reconhecimento da dignidade da pátria", afirmou o presidente.

Uribe entregará a seu sucessor um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado e com uma crise de credibilidade institucional, segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.

A poucos metros de onde votou o presidente colombiano, no centro da praça, o candidato presidencial Robinson Alexander Devia, em greve de fome há 20 dias, protestava contra o sistema democrático colombiano.

Dezenas de pessoas que estão acampadas na praça, com esparadrapos na boca, acompanham o protesto.

Protestos Devia alega não ter tido espaço nos debates presidenciais para expor suas propostas aos colombianos.

"O eleitor não pode decidir com liberdade se o direito a informar e estar informado está sendo violado", afirmou Devia à BBC Brasil.

O candidato terminará a greve de fome neste domingo.

A duas quadras dali, um grupo de jovens artistas protestavam tocando tambores e convocando os eleitores a votar branco.

"A Constituição diz que se a maioria votar em branco, as eleições têm de ser repetidas, com novos candidatos", explicou à BBC Brasil Milton Siriaco, que diz não acreditar no sistema eleitoral.

"A cada quatro anos elegemos um presidente, e a história tem mostrado que estamos cada vez pior. Eles promovem a ignorância para continuar mantendo seus privilégios no poder", acrescentou.

O processo eleitoral foi monitorado pela Organização de Estados Americanos (OEA) e por observadores colombianos do MOE.

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