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31/05/2010 - 16h29

Brasileiro caminha quatro dias pelo Arizona em protesto contra lei de imigração

O brasileiro Felipe Matos realizou uma caminhada de quatro dias circundando a capital do Arizona, Phoenix, que foi palco, neste fim de semana, de dois protestos, um contra e um a favor da nova lei de imigração do Estado.

Acompanhado por três amigos, Felipe completou o trajeto no sábado, em meio à multidão que participou de uma marcha em protesto contra a lei. "Decidimos vir para o Arizona porque aqui é o centro do que diz respeito a todo tipo de preconceito (contra imigrantes ilegais) e até de racismo", disse Felipe à BBC Brasil. Aos 24 anos, dez deles como imigrante ilegal nos Estados Unidos, o brasileiro vive em Miami, na Flórida, e tem cruzado o país em caminhadas para chamar a atenção para o problema dos indocumentados. Em suas andanças, é acompanhado pelos amigos Gaby Pacheco (do Equador), Juan Rodriguez (Colômbia) e Carlos Roa (Venezuela), todos imigrantes ilegais como ele. XerifeNesta terça-feira, o grupo pretende se reunir com Joe Arpaio, chefe de polícia do condado de Maricopa, do qual Phoenix faz parte, e um dos mais ferrenhos opositores dos imigrantes ilegais no Arizona. Segundo Felipe, o grupo enviou uma carta ao xerife pedindo o encontro, mas não obteve resposta. Mesmo assim, os amigos vão insistir na reunião. "Vamos dizer a ele que somos seres humanos e temos de ser tratados como tal", afirma Felipe. "Quase todos (os imigrantes ilegais) são pessoas que trabalham muito. Estamos aqui para ajudar a construir esse país." LeiA nova lei de imigração do Arizona foi assinada pela governadora Jan Brewer em 23 de abril e deve entrar em vigor em 29 de julho. A lei torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e dá à polícia o poder de abordar, interrogar e exigir documentos de pessoas sobre as quais haja suspeita. Desde seu anúncio, a medida tem sido alvo de inúmeros protestos em todo o país, por parte de críticos que consideram a legislação discriminatória e temem que vá afetar especialmente a população hispânica. A legislação, porém, também tem a simpatia de muitos americanos que vivem no Arizona, que acreditam que ela pode ajudar a reduzir a criminalidade no Estado. WashingtonFelipe afirma que resolveu participar dos protestos do último fim de semana em Phoenix também porque teme que a lei possa inspirar outras regiões dos Estados Unidos a aprovar medidas semelhantes. Atualmente, 15 Estados americanos cogitam adotar leis similares à do Arizona. "Pode chegar à Flórida", diz. O brasileiro e seus companheiros ganharam destaque nos jornais americanos no início de maio, ao encerrar uma jornada de quatro meses a pé por seis Estados, entre Miami e Washington. Na bagagem, levavam uma carta pedindo ao presidente Barack Obama o fim das deportações de jovens que poderiam ser beneficiados pelo Dream Act, um projeto de lei que está empacado no Congresso em Washington. O projeto beneficia imigrantes que chegaram aos Estados Unidos antes de completar 16 anos, moram no país há pelo menos cinco anos, terminaram o ensino médio e pretendem cursar uma faculdade ou cumprir serviço militar. Esses imigrantes ganhariam residência temporária de seis anos e, ao final do período, caso tivessem cumprido serviço militar ou cursado uma faculdade por pelo menos dois anos, teriam direito a residência permanente. Felipe se beneficiaria do Dream Act, mas o projeto está parado no Congresso americano. TrajetóriaA trajetória de Felipe começou aos 14 anos, no Rio, quando sua mãe, que estava doente, enviou o filho para passar uma temporada com familiares que viviam em Miami, na Flórida. "Quando cheguei aos Estados Unidos, meus parentes me disseram: estuda bastante, este é o país das oportunidades", diz. "Naquele momento, eu sonhei. Não sabia o que era ser um indocumentado." Para Felipe, o sonho acabou quando terminou o ensino médio e não teve dinheiro para pagar uma faculdade, que custa mais que o dobro para estudantes em situação ilegal no país. Faculdade Ele chegou a ganhar uma bolsa de estudos para a faculdade de Direito, mas abandonou o curso ao saber que não poderia exercer a profissão por conta de sua condição ilegal. Agora, estuda Economia em uma universidade em Miami, mas sabe que, se a lei não tiver mudado quando se formar, será impedido de trabalhar na profissão enquanto for um indocumentado. Por enquanto, o brasileiro sobrevive de pequenos serviços como jardineiro ou garçom. Apesar das dificuldades, não pensa em voltar ao Brasil. "Minha vida está aqui, meus amigos. Não sei como seria se voltasse ao Brasil."

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