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03/06/2010 - 06h57

Ativistas chegam à Turquia depois de serem deportados de Israel

Cerca de 450 ativistas detidos por Israel na frota de ajuda humanitária a caminho de Gaza - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - chegaram à Istambul, na Turquia, nesta quinta-feira de madrugada, onde foram recebidos como heróis por uma multidão liderada pelo vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc.

Os ativistas viajaram em aviões fretados pelo governo turco. Os corpos dos nove mortos na ação militar israelense também estavam nos voos. Israel identificou quatro das vítimas como sendo turcas, mas ainda não há informações sobre os outros cinco mortos.

Ao chegar, os ativistas deram relatos de que foram tratados com violência pelos soldados israelenses que abordaram as seis embarcações da frota.

Um outro avião chegou à Grécia nesta quinta-feira de madrugada levando cerca de 30 ativistas libertados.

Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que Israel "não teve escolha" a não ser invadir os barcos na segunda-feira.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, votou pela abertura de um inquérito internacional independente sobre o incidente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu que Israel suspenda o bloqueio à Faixa de Gaza imediatamente, afirmando que o cerco é "contra-producente, insustentável e errado".

Vítimas Na chegada ao aeroporto, o vice-premiê Arinc fez um inflamado discurso, no qual acusou Israel de "pirataria" e disse que seu governo saúda a organização islâmica turca IHH, que ajudou a planejar o envio de ajuda para Gaza - grupo que Israel acusa de terrorismo.

Alguns dos ativistas libertados disseram que tentaram se defender dos soldados israelenses, que estavam fortemente armados.

Em entrevista à BBC Brasil, a cineasta brasileira Iara Lee disse que "os soldados entraram atirando nas pessoas". "A gente esperava tiros de advertência para o alto, nos pés, mas eles atiraram de verdade".

Segundo ela, a organização contabiliza pelo menos 19 mortos na ação, e ainda haveria alguns ativistas desaparecidos. Também há sete ativistas feridos em estado grave que permanecem internados em hospitais de Tel Aviv.

"Havia crianças de um ano em nosso barco", diz ela, que estava no Mavi Marmara, o principal barco de passageiros que transportava centenas de ativistas e onde ocorreram as mortes.

"Pusemos pessoas famosas a bordo, como o escritor sueco Henning Mankell, dois parlamentares alemães, acreditando que isso nos daria alguma proteção, mas eles (os soldados) nem ligaram." Os ativistas turcos libertados passarão por um exame médico antes de seguir para suas casas. Iara Lee disse que planeja voltar para os Estados Unidos, onde pretende divulgar o ocorrido, prestar depoimento a eventuais comissões de investigação e mostrar as imagens dos ataques que conseguiu filmar e trazer de Israel.

A grande maioria dos ativistas teve que deixar Israel apenas com as roupas do corpo e seus passaportes.

Na quarta-feira, três ambulâncias aéreas transportaram vários ativistas feridos para Ancara, capital da Turquia.

Outros três ativistas - da Irlanda, Austrália e Itália - permanecem detidos em Israel.

Hipocrisia Em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu rejeitou as críticas à ação militar, que chamou de "hipocrisia internacional '.

Segundo ele, os soldados foram recebidos por uma "multidão cruel" e agiram para se defender.

Netanyahu afirmou que é dever de Israel evitar que foguetes e outras armas sejam contrabandeadas para o Hamas, em Gaza, pelo Irã e outros países.

A frota, segundo ele, não pretendia levar ajuda humanitária à Gaza, mas sim tentava furar o bloqueio.

"Não era um barco do amor, era um barco do ódio", disse o premiê.

Cerca de 700 ativistas - entre eles 400 turcos - estavam a bordo das embarcações que tentavam furar o bloqueio e transportar dez toneladas de ajuda humanitária.

Israel rejeita as alegações de que Gaza - cujas fronteiras estão fechadas desde que o grupo Hamas assumiu o poder em 2007 - esteja passando por uma crise humanitária.

A ONU, Europa e outros países criticaram Israel depois da ação militar contra a frota de embarcações em águas internacionais.

As críticas mais duras vieram da Turquia, o único aliado israelense entre os países muçulmanos.

A Turquia já havia convocado de volta seu embaixador em Tel Aviv e suspendeu planos de exercícios militares conjuntos.

A Turquia também aprovou uma declaração exigindo um pedido formal de desculpas de Israel pela ação, além de compensação para as vítimas. Ancara também quer que os responsáveis sejam levados à Justiça.

O governo turco, no entanto, não cortou relações com Israel e deixou claro que quer proteger as ligações vitais de comércio e turismo.

Enquanto isso, um novo navio transportando ajuda humanitária segue para Gaza em uma tentativa de furar o bloqueio.

Israel já avisou que o barco de bandeira irlandesa Rachel Corrie não será autorizado a entrar no território.

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