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03/06/2010 - 13h40

Israel rejeita ideia de inquérito internacional sobre ataque

Israel indicou nesta quinta que não cederá à pressão para que seja conduzida uma investigação internacional sobre o ataque à frota de barcos que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza e que resultou na morte de pelo menos nove ativistas nesta semana.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU votou pela abertura de um inquérito internacional independente sobre o incidente, mas Israel afirma que pode investigar o ocorrido com credibilidade. "É nosso costume padrão após operações militares, especialmente após operações nas quais ocorrem fatalidades, conduzir rapidamente uma investigação profissional, transparente e objetiva, de acordo com os mais altos padrões internacionais", disse o porta-voz do governo israelense Mark Regev.

Israel afirma que, quando militares britânicos ou americanos são acusados por mortes no Iraque ou Afeganistão, eles mesmos conduzem as investigações, disse o correspondente da BBC em Jerusalém Andrew North. O jornalista afirmou também que, embora os Estados Unidos tenham declarado aceitar um inquérito liderado por Israel, crescem as indicações de que o país estaria pressionando Israel para começar a relaxar o bloqueio a Gaza, imposto desde 2007 quando o grupo Hamas passou a controlar o território.

Funeral

Milhares de pessoas compareceram nesta quinta-feira em Istambul, na Turquia, aos funerais dos nove ativistas mortos na ação israelense. A multidão seguiu à Mesquita de Fatih para o evento, no qual os caixões foram cobertos com as bandeiras turca e palestina. A Turquia, um dos maiores aliados israelenses entre os países muçulmanos, retirou seu embaixador de Tel Aviv após o incidente.

O presidente turco, Abdullah Gul, disse que a relação entre os dois países "nunca mais será a mesma". Também nesta quinta-feira, cerca de 450 ativistas detidos por Israel na frota de ajuda humanitária - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - chegaram a Istambul, onde foram recebidos como heróis por uma multidão liderada pelo vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc.

Ajuda

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, rejeitou as críticas à ação militar, que chamou de "hipocrisia internacional". Segundo ele, os soldados foram recebidos por uma "multidão cruel" e agiram para se defender.

Cerca de 700 ativistas - entre eles 400 turcos - estavam a bordo das embarcações que tentavam furar o bloqueio e transportar dez toneladas de ajuda humanitária. Israel rejeita as alegações de que Gaza, cujas fronteiras estão fechadas desde que o grupo Hamas assumiu o poder em 2007, esteja passando por uma crise humanitária.

Após dizer inicialmente que permitiria a entrada em Gaza do material que os seis navios transportavam, Israel voltou atrás e afirmou que nem toda a ajuda será levada ao território palestino. O governo israelense diz temer que parte do material, como cimento e metal, possa ser usado pelo Hamas para fins militares.

O correspondente da BBC em Gaza Jon Donnison afirma que tanto o Hamas como Israel parecem estar usando o tema para fins políticos. "As razões israelenses para não permitir a entrada de algumas mercadorias não são claras. Canela pode, mas coentro e geleia não", diz ele. Já o Hamas disse que aceita a ajuda apenas se ela chegar integralmente ao território palestino.

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