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08/06/2010 - 14h48

Vídeos dão versões opostas sobre destino de cientista iraniano

Dois vídeos, um divulgado no Irã e outro colocado no site YouTube, apresentam visões opostas sobre o destino de um cientista do Irã que poderia conhecer segredos do programa nuclear do país.

O governo iraniano afirmou nesta terça-feira ter provas de que Shahram Amiri - que desapareceu há um ano durante uma peregrinação à Arábia Saudita - foi sequestrado e está sendo mantido nos Estados Unidos.

O vídeo divulgado na TV iraniana mostra um homem identificado como o cientista dizendo estar na cidade de Tucson, no Estado americano do Arizona, para onde teria sido levado contra sua vontade.

Entretanto, na segunda-feira, um outro vídeo, postado no YouTube, supostamente mostra Amiri dizendo estar feliz por estar nos Estados Unidos.

Segredos Amiri trabalhava como pesquisador em uma universidade de Teerã, segundo a imprensa iraniana.

Mas outros relatos diziam que ele trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã e que teria um conhecimento profundo sobre o programa nuclear do país.

No vídeo da TV estatal iraniana, o homem diz ter sido forçado a dizer que desertou com um laptop cheio de informações sobre os segredos nucleares iranianos e que agora ele estaria sendo usado para pressionar o Irã.

O vídeo mostrava o homem usando fones de ouvido e aparentemente falando a uma webcam. Logo no início, ele afirma que a gravação estava sendo feita no dia 5 de abril.

Ele diz que estava na cidade saudita de Medina, no dia 3 de junho de 2009, quando teria sido drogado e sequestrado em uma operação conjunta dos serviços de inteligência americano e saudita.

"Quando recobrei a consciência, estava a bordo de um avião americano a caminho dos Estados Unidos", afirmou.

Ele disse ainda ter sido torturado para dizer em uma entrevista à imprensa americana que era uma figura importante no programa nuclear iraniano e que havia pedido asilo nos Estados Unidos por sua própria vontade.

"O principal objetivo disso era impor pressão política sobre a República Islâmica do Irã e condenar de fato o Irã e provar as mentiras que os Estados Unidos vêm dizendo constantemente contra a República Islâmica do Irã", diz ele.

Contradição No vídeo disponível no YouTube, o homem identificado como Amiri diz que está vivendo com segurança e que pretende terminar seus estudos para um doutorado nos Estados Unidos.

"Estou livre aqui e garanto a todos que estou em segurança", diz o homem em persa no vídeo postado no dia 7 de junho no site pelo usuário shahramamiri2010.

"Meu objetivo na conversa de hoje é colocar um fim a todos os rumores e acusações que foram levantadas contra mim no último ano. Sou iraniano e não tomei caminhos contrários à minha pátria", disse ele.

"Não tenho nenhuma posição política e não tenho interesse nos temas e nas discussões políticas de qualquer Estado ou país. Não estou envolvido em pesquisas de armamentos e não tenho experiências nesse campo." Nem os Estados Unidos nem a Arábia Saudita comentaram as acusações iranianas sobre o suposto sequestro de Amiri.

Em março, a rede americana de TV ABC mostrou uma reportagem que afirmava que Amiri havia desertado e que estaria ajudando a fornecer informações à inteligência americana sobre o programa iraniano para armamentos nucleares.

Os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o Irã está tentando desenvolver armamentos nucleares, mas o governo iraniano nega a acusação e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

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