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09/06/2010 - 10h31

EUA, França e Rússia expressam à AIEA suas 'ressalvas' contra acordo mediado por Brasil

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) recebeu nesta quarta-feira cartas do chamado Grupo de Viena, formado por Estados Unidos, Rússia e França, com "ressalvas" sobre o acordo nuclear firmado pelo Irã no mês passado com o Brasil e a Turquia.

O envio ocorreu poucas horas antes da votação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de uma nova rodada de sanções contra o Irã para pressionar o país a abandonar seu programa nuclear.

Segundo a AIEA, cada uma das cartas enviadas pelos três países à agência continha um papel idêntico intitulado "Ressalvas sobre a Declaração Conjunta Conduzida pelo Irã à AIEA". Conteúdo As cartas foram encaminhadas também ao representante do Irã na AIEA. A agência da ONU não divulgou o conteúdo das cartas.

Mas diplomatas afirmam que os três países relacionam suas preocupações sobre o acordo mediado no mês passado pelo Brasil e pela Turquia, sugerindo que não rejeitam totalmente uma possível troca na qual o Irã receberia combustível para um reator médico.

As potências ocidentais dizem que o acordo do mês passado, que seguiu a linha de uma oferta mediada pela AIEA oito meses antes, não havia respondido às principais dúvidas sobre o programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de buscar o desenvolvimento de armas atômicas, mas o governo iraniano nega a acusação e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. As principais preocupações ocidentais incluem o aumento do estoque iraniano de urânio levemente enriquecido desde a formulação da proposta original da AIEA e sua decisão de triplicar o enriquecimento em fevereiro.

Segundo eles, isso gera preocupação porque produziria um urânio enriquecido a um nível próximo do necessário para a fabricação de uma bomba atômica.

Resposta

O chefe da agência atômica iraniana, Ali Akbar Salehi, disse que seu país vai responder às questões levantadas pelo Grupo de Viena.

"O Irã vai responder às suas questões após estudar suas cartas em detalhe", afirmou ele à agência de notícias estatal do Irã. Para Salehi, as cartas dos três países estão "em contradição ao que está acontecendo em Nova York", em referência à votação das sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Na proposta oferecida em outubro ao Irã, os Estados Unidos, a França e a Rússia propunham ao país trocar a maior parte do estoque iraniano de urânio levemente enriquecido por combustível para o reator de pesquisas médicas. O acordo anunciado no mês passado com a Turquia e o Brasil segue a mesma linha, mas os críticos alegam que as condições mudaram nesse meio tempo.

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