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09/06/2010 - 22h04

Para Amorim, cenário 'não é favorável' a negociações com Irã

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que "não vê um cenário favorável" para as negociações com o Irã sobre seu programa nuclear, diante da aprovação de sanções contra Teerã pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. "Se as negociações vão continuar? Para ser sincero, não sei. Hoje não vejo um cenário favorável", disse o chanceler, durante uma coletiva de imprensa, no Itamaraty.

"Sob sanções, a possibilidade de o Irã vir a negociar é muito menor", acrescentou.

Segundo Amorim, Brasil e Turquia retomaram um acordo que estava "jogado no vácuo", mas que isso "infelizmente" não foi suficiente para evitar as sanções.

"Vai levar um certo tempo que haja alguma outra possibilidade (de acordo)", disse o ministro.

Apesar da aprovação das sanções, a secretária de Estado americana, hillary Clinton disse que Brasil e Turquia poderiam colaborar no campo diplomático para tentar resolver a questão nuclear iraniana.

Credibilidade Na avaliação do chanceler, o fato de o Brasil ter votado contra as sanções "preservou a credibilidade do país junto ao Irã", o que segundo ele pode favorecer o diálogo com Teerã.

Fizemos a coisa certa, fomos ao Irã e obtivemos a concordância deles. Acho que agora você querer mais é um pouco difícil".

Mais cedo, durante uma audiência na Câmara dos Deputados, Amorim fez diversas críticas aos países membros do Conselho de Segurança, que segundo o chanceler, teriam votado de acordo com interesses internos.

"Os países têm que votar de acordo com suas consciências, não porque conseguiram vantagem de vender mais isso ou mais aquilo", disse Amorim.

Questionado por um jornalista sobre que interesses seriam esses, o ministro respondeu que não comentaria os exemplos e que estes "já estavam citados na imprensa".

O ministro criticou o fato de o Conselho de Segurança ter votado as medidas "praticamente sem ter esperado" a avaliação do Grupo de Viena sobre proposta de acordo com Irã, intermediada por Brasil e Turquia.

"Houve uma negociação entre os membros permanentes em que os interesses específicos desses países foram tomados em conta", disse o ministro.

Lula O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreveu com um "equívoco" a decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas de aprovar novas sanções contra o Irã.

Para o presidente, os países que votaram a favor das novas sanções no Conselho de Segurança o fizeram "por birra".

"Em vez de chamarem o Irã para a mesa, eles resolveram, na minha opinião, apenas por birra, manter a sanção. Acho que foi um equívoco", disse.

"Acho que o Conselho de Segurança jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano", acrescentou Lula durante visita a Natal, Rio Grande do Norte.

O Brasil e a Turquia, que têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem direito a veto, votaram contra as sanções, que têm por objetivo coibir o programa nuclear iraniano.

O Líbano, também integrante rotativo, se absteve de votar. Os outros 12 membros do Conselho votaram a favor.

Lula disse ainda que conversou pela manhã com premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, e que ambos acertaram votar contra as sanções.

"Espero que o companheiro (Mahmoud) Ahmadinejad continue tranquilo", acrescentou.

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