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10/06/2010 - 23h39

Mafioso diz que americana condenada em caso que chocou a Itália seria inocente

Um mafioso italiano afirmou ter evidências da inocência da americana Amanda Knox, condenada em 2007 pela morte da britânica Meredith Kercher em um crime que chocou a Itália. Em 2009, Knox foi condenada a 26 anos de prisão, seu namorado o italiano Raffaele Sollecito a 25 anos e Rudy Guede, natural da Costa do Marfim, a uma pena de 16 anos de reclusão pelo crime, embora todos negassem culpa.

Mas o mafioso Luciano Aviello, 41 anos, preso por crimes ligados à máfia, disse que o assassino da britânica seria seu irmão, "Quem matou Meredith foi meu irmão. Amanda, Raffaele e Guede são inocentes", disse ele em depoimento gravado aos advogados de defesa de Knox em março e publicados esta semana pela revista italiana Oggi.

"Sei disso porque meu irmão confessou o homicídio para mim e me entregou a faca ainda suja de sangue e um molho de chaves", diz Aviello.

Versão O italiano, que atualmente colabora com a Justiça em investigações sobre o crime organizado, disse que ele e o irmão, Antonio, moravam juntos na cidade de Perugia na época do crime.

Ele diz que Antonio e um cúmplice entraram por engano no apartamento onde Meredith morava com Amanda, pensando estar na casa onde deveriam roubar algumas obras de arte.

"Quando Meredith viu os dois, começou a gritar e então Antonio tampou a boca dela com a mão, mas ela se defendeu com chutes e arranhões e aí ele perdeu a cabeça e a esfaqueou. Antes de fugir Antonio viu que Rudy Guede estava no banheiro e o ameaçou de morte se falasse sobre o que aconteceu".

O mafioso teria afirmado que escondeu a faca usada no crime e as chaves da casa de Meredith num muro nos fundos de sua casa.

"Se o Tribunal de Perugia me interrogar, posso ajudar a encontrar a arma do crime e as chaves", disse no depoimento divulgado pela revista.

Desinteresse Os advogados vão pedir ao tribunal da cidade de Perugia que Aviello seja ouvido no processo de apelação que deve ocorrer no segundo semestre.

Aviello declarou ter tentado, em vão, um contato com o presidente do Tribunal de Perugia. Disse que escreveu três cartas contando sua versão e colocou-se à disposição para um interrogatório, mas que não foi procurado pelos magistrados.

Um dos advogados de Amanda Knox disse à BBC Brasil que as cartas enviadas por Aviello ao Tribunal foram anexadas ao material do processo mas não houve interesse em interrogá-lo.

Segundo Carlo Dalla Vedova, um dos advogados de Amanda, Luciano Aviello deveria ter sido ouvido durante as audiências da primeira fase do processo.

"Não entendemos por que, num processo deste tipo, em que foram ouvidas centenas de testemunhas, até mendigos, ninguém verificou se as declarações dele teriam fundamento", disse Dalla Vedova à BBC Brasil.

O advogado informou que o depoimento gravado de Aviello foi anexado aos documentos encaminhados ao tribunal de Perugia para a segunda instancia do processo, que devera ocorrer no final do ano. Ele espera que desta vez Aviello seja convocado como testemunha.

Já o defensor de Rudy Guede, terceiro envolvido no homicídio e condenado a 16 anos de prisão, não acredita nas palavras do mafioso.

"São frases sem fundamento. Não quero me iludir nem iludir ninguém. As cartas escritas por Aviello já estavam à disposição nos atos do processo. Nada mudou", afirmou o advogado Walter Biscotti ao jornal Affaritaliani.

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