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12/06/2010 - 09h06

Tensão marca um ano de eleições iranianas

A oposição iraniana lembrou o aniversário de um ano dos protestos contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que terminou com pelo menos 30 mortos e milhares de detidos.

Os protestos para este sábado foram cancelados por temores de mais violência, mas fontes da oposição disseram que muitos iranianos marcaram sua divergência com o governo gritando Allahu Akbar (Alá é grande) do topo de seus edifícios na sexta-feira à noite.

Não há registros de protestos no país e, em Teerã, a presença das forças de segurança é grande. Houve atos de protesto do lado de fora de embaixadas e representações diplomáticas do Irã no exterior.

"Para preservar a vida e a propriedade das pessoas, esperamos que a manifestação não seja realizada", pediu o principal líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, em um comunicado conjunto com outro opositor, Mehdi Karoubi.

No dia 12 de junho de 2009, mais de 46 milhões de iranianos foram às urnas para escolher entre a reeleição de Ahmadinejad e uma mudança dentro do regime, simbolizada principalmente pela candidatura do reformista Mousavi.

Quando o governo anunciou a vitória de Ahmadinejad com 63% dos votos, a oposição acusou as autoridades de fraude eleitoral. De forma espontânea, milhares de cidadãos foram às ruas para protestar pacificamente.

O governo reagiu fortemente e reprimiu os manifestantes. Nos dias que se seguiram ao caos e a turbulência política, pelo menos 30 pessoas morreram e milhares foram detidas. Para muitos observadores, a violência marcou um significativo aprofundamento do cerceamento às liberdades no país.

Pelo menos três morreram na prisão - fato que grupos de direitos humanos denunciam como um abuso do regime - e mais de cem foram julgados. Dois ativistas foram executados por causar "distúrbios e medidas antirrevolucionárias".

O correspondente da BBC em Teerã à época, Jon Leyne, disse que as manifestações foram "um movimento de ira" contra o que a oposição considerava eleições roubadas.

Leyne, que pouco após o início dos protestos foi expulso do Irã - deixando a BBC até hoje sem correspondente no país -, diz que o governo de Ahmadinejad continua "nervoso" em relação à sua permanência no poder e que a oposição está cada vez mais "silenciada" no país.

"Aos poucos o regime tem aumentado seu controle sobre os meios de comunicação e a internet, e até advertiu aos exilados no exterior que mantenham silêncio", analisou o jornalista.

"A oposição parece ter ficado sem ideias. Muitos iranianos agora estão reduzidos ao silêncio. O próximo problema do governo parece ser a economia: com a receita petroleira em queda, o regime poderia rapidamente ficar sem dinheiro."

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