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14/06/2010 - 14h56

Colômbia resgata mais um militar em poder das Farc por dez anos

As Forças Armadas da Colômbia anunciaram nesta segunda-feira o quarto resgate desde o domingo de um oficial do Exército sequestrado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a menos de uma semana das eleições que definirão o futuro presidente do país.

O tenente-coronel William Donato, sequestrado havia dez anos, tinha se perdido na selva colombiana durante o ataque do Exército a um acampamento das Farc no domingo.

Donato foi encontrado na manhã desta segunda-feira por oficiais colombianos, com uma corrente de ferro de três metros atada ao corpo, segundo informação da imprensa colombiana.

Na operação militar do domingo também foram libertados o general da polícia Luis Mendieta, o coronel Enrique Murillo e o sargento Arbey Delgado, que estavam em poder das Farc havia 12 anos.

Eleições A chamada operação "Camaleão" foi considerada mais uma vitória do governo de Álvaro Uribe sobre a guerrilha, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, no próximo domingo.

Juan Manuel Santos, candidato governista e herdeiro da política de Segurança Democrática, marca do governo Uribe, elogiou a libertação dos reféns em seu encerramento de campanha.

"Que lindo dia para a Colômbia, com esse novo triunfo para nossa pátria e para nossa segurança democrática", afirmou Santos, em comício em Medelín.

A Segurança Democrática, que defende a saída militar e não negociada para o conflito armado na Colômbia, "mudou para sempre o destino de nossa querida pátria", disse Santos, que aparece como o favorito na disputa presidencial.

"Vamos prosseguir com os resgates militares e pressionando as Farc. Não descansaremos até que não exista mais nenhum sequestrado na Colômbia", afirmou.

Continuidade O resgate dos quatro oficiais é visto como o golpe de maior sucesso contra as Farc desde 2008, quando a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt foi resgatada de um acampamento guerrilheiro juntamente com outros 14 reféns.

O resgate de Betancourt foi considerado também como uma vitória de Santos, então ministro de Defesa de Uribe.

O candidato do partido Verde à Presidência, Antanas Mockus, se alinhou ao seu adversário governista ao defender as operações militares para a libertação de reféns e por não considerar que o governo tenha que negociar com as Farc em condição de igualdade.

Segundo analistas, a controvertida política de Segurança foi responsável, após oito anos de governo, pelo enfraquecimento das guerrilhas em todo o país e o aumento da segurança nas grandes cidades colombianas.

Ao mesmo tempo, essa política é interpretada pelos analistas como responsável por casos de violação de direitos humanos e execuções extrajudiciais.

Santos promete "continuidade" à política caso seja eleito presidente. Mockus, por sua vez, promove a "legalidade democrática" e promete acabar com a lógica de "que os fins, justificam os meios", em referência aos crimes na aplicação da política de segurança do governo.

Acordo humanitário A operação militar que resultou no resgate dos reféns vinha sendo preparada durante meses. O local onde os reféns eram mantidos em cativeiro teria sido revelado por um guerrilheiro, que após ser ferido e capturado pelo Exército, decidiu desertar e deu as coordenadas do acampamento guerrilheiro.

"Depois que o encontramos, o homem decidiu se desmobilizar e nos deu a localização exata da zona por onde transitam os sequestrados", afirmou o general Freddy Padilla, chefe das Forças Armadas ao jornal colombiano El Tiempo.

O Ministério de Defesa anunciou que há uma nova operação em andamento para resgatar a outros três sequestrados pela guerrilha.

Uribe determinou que os ataques contra a guerrilha continuem até o final de seu mandato, em 7 de agosto.

Os quatro oficiais resgatados pertenciam ao grupo de reféns considerados passíveis de troca em um eventual acordo humanitário que as Farc pretendem negociar com o governo, em troca da libertação de guerrilheiros presos.

Com o resgate, 19 oficiais, entre militares e policiais, ainda permanecem em poder da guerrilha.

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