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14/06/2010 - 13h23

Turquia diz não confiar em comissão de Israel para apurar ataque a frota

A Turquia disse nesta segunda-feira não confiar na comissão nomeada por Israel, com a inclusão de dois estrangeiros, para investigar o ataque à frota que tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza no dia 31 de maio, em um episódio em que nove turcos morreram.

"Só porque existe uma representação estrangeira em uma comissão formada por Israel, (isso) não lhe dá credibilidade internacional", disse o ministro das Relações Internacionais turco, Ahmet Davutoglu.

"Nós não acreditamos que um país que tenha atacado uma frota civil navegando em águas internacionais possa realizar uma investigação imparcial", continuou.

"Apoiamos a proposta lançada pelo secretário geral das Nações Unidas, que estabelece uma comissão internacional independente, supervisionada pela ONU com a participação tanto de Turquia como de Israel." A proposta israelense também foi criticada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, que afirmou que a ela "não corresponde ao pedido feito pelo Conselho de Segurança (da ONU)".

O ataque de Israel à frota de seis barcos que tentava levar toneladas de ajuda humanitária a Gaza gerou muitas críticas a Israel.

Ativistas que integravam a frota dizem que os soldados israelenses atiraram sem provocação. Já Israel afirma que suas tropas agiram em legítima defesa, quando foram atacadas ao tentarem entrar em um dos barcos.

Proposta A criação uma comissão com a presença de estrangeiros foi uma solução alternativa do governo à ideia de uma investigação internacional, que Israel já havia rejeitado.

"A decisão do governo vai deixar claro para o mundo que Israel está agindo legalmente, responsavelmente e com completa transparência", disse o gabinete de governo israelense o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, de acordo com o jornal Haaretz.

Dois dos cinco membros propostos para o grupo não são israelenses: o prêmio Nobel da Paz David Trimble - um dos articuladores do acordo de paz na Irlanda do Norte de 1998 - e o promotor militar aposentado canadense Ken Watkin.

Entretanto, a proposta israelense é de que os dois estrangeiros não tenham direito a voto nas conclusões da comissão.

Além disso, as conclusões só serão divulgadas publicamente logo após serem submetidas ao governo se não causarem "dano substancial à segurança nacional, às relações internacionais, ao bem-estar ou à privacidade de qualquer indivíduo ou aos métodos operacionais confidenciais de entidades autorizadas".

A proposta de criação do grupo será submetida nesta segunda-feira por Netanyahu ao Gabinete israelense.

Bloqueio à Gaza Também nesta segunda-feira, a Cruz Vermelha disse que a crise na Faixa de Gaza não poderia ser resolvida apenas com ajuda humanitária e classificou o bloqueio israelense de "punição coletiva" aos 1,5 milhão de habitantes do território palestino.

Os cortes de eletricidade de cerca de sete horas diárias contribuem para que o sistema de saúde esteja na situação mais precária já verificada pela entidade na região.

"Os geradores levam vários minutos para serem ativados, as máquinas para respiração artificial precisam ser ligadas manualmente e as operações são suspensas já que as salas de cirurgias ficam totalmente escuras".

A Cruz Vermelha criticou ainda a rivalidade entre o Hamas, grupo que controla Gaza e o Fatah, que controla a Cisjordânia, como responsável pela falta de 110 de 470 tratamentos médicos na região, como quimioterapia e remédios para o tratamento de hemofilia.

O ex-premiê britânico Tony Blair, atualmente na função de enviado do chamado quarteto (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) para o Oriente Médio, disse esperar que Israel relaxe um pouco as restrições ao território palestino nos próximos dias.

O presidente americano, Barack Obama, declarou recentemente que o bloqueio seria insustentável.

Israel impõe o bloqueio à Gaza desde que o Hamas passou a dominar o território em 2007, afirmando que a medida impede que cheguem a ele materiais que possam ser usados em ataques contra o país.

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