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15/06/2010 - 08h33

Almodóvar interpreta vítima do franquismo em curta metragem

Desta vez diante da câmera. O cineasta espanhol Pedro Almodóvar trocou de posição no cinema para interpretar o papel de uma vítima da ditadura franquista no curta metragem Cultura contra a Impunidade. O filme relata em 15 depoimentos o drama de assassinados cujas famílias esperam justiça até hoje.

Almodóvar lidera um time de 15 artistas espanhóis que inclui outro vencedor de um Oscar, Javier Bardem, interpretando histórias reais em primeira pessoa de vítimas assassinadas entre os anos 30 e 50.

O curta da diretora Azucena Rodriguez foi feito de forma altruísta por toda a equipe. Atores, diretores, produtores e técnicos colaboraram de maneira gratuita.

O objetivo é conscientizar a população sobre a situação das famílias das vítimas da ditadura militar. Muitas delas ainda em busca de parentes desaparecidos, enterrados em fossas comuns e cujos corpos nem sequer foram localizados e identificados para que os descendentes pudessem sepultá-los.

O filme foi apresentado em Madri na segunda-feira pela Associação para a Recuperação da Memória Histórica, ONG que recolhe informações sobre os desaparecidos e auxilia as famílias em trâmites legais para o reconhecimento de seus direitos.

Depoimentos O curta consta de 15 relatos de 40 segundos cada um. Pedro Almodóvar interpreta o aviador Virgilio Leret Ruiz, primeiro militar assassinado no golpe de 1936, pouco antes do início da Guerra Civil espanhola.

Ruiz foi morto por não aceitar o golpe militar e fuzilado por seus companheiros de quartel sem direito a defesa. Seu corpo desapareceu e seus descendentes ainda procuram o paradeiro do cadáver.

Almodóvar, que não participou da apresentação do curta por estar produzindo o seu próximo filme, deixou um depoimento em que disse que "a Espanha tem uma dívida moral com as milhares de famílias das vítimas".

"Foi uma experiência muito emocionante poder dar, humildemente, voz ao primeiro militar assassinado por não apoiar a sublevação franquista. Não é uma questão política, é uma questão humana." Para um dos artistas que participaram do curta, o ator Paco León, o filme teve ainda um componente pessoal. León interpretou o próprio bisavô, assassinado e desaparecido há mais de 70 anos.

A diretora, Azucena Rodriguez, explicou na entrevista coletiva que a Plataforma Cultura contra a Impunidade (grupo de artistas engajados na causa das vítimas do franquismo) produziu o filme com o objetivo de que seja um protesto "que desperte a sociedade".

"Queremos dar visibilidade às vítimas do franquismo, colocar rostos e vozes reconhecíveis nos protagonistas da grande tragédia coletiva, cuja memória não foi capaz de assumir o Estado espanhol depois de 30 anos de democracia."

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